sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017



COMO O ÁLCOOL AGE SOBRE O CÉREBRO?
CIÊNCIA EXPLICA BEBEDEIRA.


Flávio Iha Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

Durante a folia, quem não quer tomar uma bela cerveja gelada ou um sacolé alcoólico? Mas, é bom saber que o álcool, além de dar aquela sensação de relaxamento, também afeta diretamente vários órgãos importantes do nosso corpo, em especial o cérebro. Se for consumido em doses excessivas, então, os danos podem ser irreversíveis.

Bebidas alcoólicas, por mais leves que sejam (com teor inferior a 3% sobre cada litro), entram na corrente sanguínea rapidamente depois de serem absorvidas pelo estômago e pelo duodeno e de serem despejadas no fígado, que atacará a substância estranha para eliminá-la do organismo. Da corrente sanguínea, chegar ao cérebro é questão de minutos. Poucos minutos

“O álcool é uma droga que age do fio de cabelo até o dedão do pé. Mas a ação farmacológica inicial mais identificável é o efeito cerebral, caracterizado por certo torpor e sensação de relaxamento. Em doses pequenas, o efeito pode ser agradável. Mas se as doses forem aumentadas de forma aguda, o torpor é mais intenso e pode até levar ao coma – o que é raro, mas não improvável”, alerta o médico Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.

Primeiro nos neurotransmissores.

Logo que chega ao cérebro, poucos minutos depois de ser ingerido, em qualquer quantidade, o álcool começa a agir sobre os neurotransmissores – substâncias responsáveis pelas trocas de mensagens entre as células cerebrais. Especialmente sobre dois, bastante importantes para o comportamento humano: o ácido gama-aminobutírico, cuja sigla é Gaba, e a serotonina.

Nossos neurotransmissores estão divididos em dois grupos: excitatórios, quando estimulam a atividade elétrica do cérebro, ou inibitórios, quando a reduzem.

O etanol aumenta os efeitos do Gaba, um neurotransmissor inibitório, o que causa os movimentos lentos e a fala enrolada que frequentemente se observam em pessoas alcoolizadas.

Ao mesmo tempo, inibe o neurotransmissor excitatório glutamato, suprimindo seus efeitos estimulantes e levando a um tipo de retardamento fisiológico. O sistema Gaba atua sobre o controle da ansiedade. Ou seja, quando “armado” pela inibição da produção de glutamato, deixa as pessoas mais relaxadas e com capacidade de interagir melhor com grupos. Quanto mais Gaba, menos autocontrole.

"Se uma pessoa chega a uma festa muito ansiosa, com medo de ser criticada ou de estabelecer relações, uma pequena dose de álcool irá relaxá-la um pouco e a tornará menos perceptiva em relação aos outros. Isso é efeito do sistema Gaba.” Ronaldo Laranjeira, da Unifesp

Aumento de serotonina.

Quase ao mesmo tempo o álcool também aumenta a liberação de serotonina, neurotransmissor que serve para regular o prazer e o humor. Com mais serotonina, que é considerado o hormônio a felicidade, mais euforia – e, em alguns casos, atitudes que podem resultar em atos violentos.

“As maiores alterações eletrofisiológicas do álcool foram registradas na região do tálamo, que é um dos principais centros da organização cerebral. Ela é a porta de entrada no que se refere à sensibilidade”, explica o neurocirurgião Flávio Settani, também da Unifesp.

Isso porque o álcool é uma substância complexa, com ação farmacológica muito variada e que atua diretamente como depressor sobre o Sistema Nervoso Central (SNC). A partir do momento em que o consumo aumenta, ele pode agir não só no sistema de relaxamento, controlada pelo Gaba, mas em outros sistemas do cérebro.

Sonolência ou agressividade;

Dependendo da quantidade ingerida e da química cerebral de cada pessoa, o relaxamento inicial pode dar lugar à sonolência ou, em certos casos, a muita agressividade.

Coordenador da Unidade de Dependência Química do Hospital Mãe de Deus, em Porto Alegre, o psiquiatra Sérgio de Paula Ramos alerta que as “alterações morais” do álcool, especialmente em situações de abuso, podem ser bastante nocivas se não forem controladas adequadamente.

“As alterações de comportamento podem incluir exposição moral, comportamento sexual de risco, agressividade, labilidade do humor, diminuição do julgamento crítico, alterações no afeto, na fala, na diminuição do desempenho motor, no pensamento e também baixa coordenação motora. Esses efeitos podem afetar qualquer indivíduo, em todas as idades”, adverte.

Uso contínuo pode levar a cirrose, diabetes e depressão.

As consequências do uso continuado de álcool, para Ramos, podem ser devastadoras: desenvolvimento de doenças autoimunes, cirrose, diabetes e depressão, para citar apenas alguns exemplos. “E com um agravante: bebidas alcoólicas são drogas legais, estão à venda em cada esquina. De todas as drogas, o álcool é a que tem o maior número de usuários e a que começa a ser consumida mais cedo, entre os 12 e os 13 anos de idade”, argumenta.

O poder destrutivo do álcool, segundo o psiquiatra, vem da capacidade de provocar lesões em tecidos adiposos, cobertos de gordura. Como o cérebro é todo revestido de tecido adiposo, ao atacar essas regiões o álcool desencadeia um processo inflamatório no cérebro, que altera a bioquímica e, consequentemente, as transmissões elétricas entre as sinapses (feitas pelos neurotransmissores).


“No primeiro momento, o álcool relaxa. No segundo, provoca euforia. No terceiro, vem a depressão. E, se a pessoa não parar de beber, o álcool leva ao coma”, adverte.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017





Descriminalizar porte de drogas para reduzir
população penitenciária é ineficaz

Por Mário Sérgio Sobrinho

Crises e momentos de tensão exigem formulação de respostas e alternativas para enfrentar a situação aflitiva ou, pelo menos, minimizar os seus efeitos.

O Brasil abriu o ano de 2017 com notícias de sérios problemas em alguns estabelecimentos prisionais resultando mortes e violência que impactaram a sociedade e instigaram debates. Essa situação de certo modo fora prevista no texto do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen – 2014) ao apontar que em seis estados brasileiros havia mais de duas pessoas presas por vaga disponível no regime fechado e indicar condições piores nos estados da Bahia, Pernambuco e Amazonas.

Fiscalizar permanentemente os estabelecimentos prisionais e a entrada de itens; oferecer trabalho, estudo, capacitação profissional, atendimento de saúde e assistência judiciária além de reintegrar o preso ao convívio familiar e social são, entre outras, providências e ações respaldadas pela lei, geradoras de efeitos positivos para a população carcerária, mas não amplamente cumpridas pelo sistema prisional apto em grande parte em segregar e punir.

Entretanto, no cenário dessa crise anunciada do sistema prisional brasileiro, ressurge a ideia de que descriminalizar o porte de drogas para uso próprio reduziria a população carcerária. Qual seria o impacto dessa medida ao número de pessoas presas no Brasil?

Portar qualquer quantidade de droga ilícita para uso próprio é crime no Brasil. O infrator deve ser conduzido para registro do fato na Polícia embora essa prática felizmente não permita prisão. Nesse caso, as sanções previstas pela Lei 11.343/2006 são, exclusivamente, advertência sobre os efeitos das drogas, prestação de serviços à comunidade e medida educativa de comparecimento a programa ou curso.

Mesmo se o infrator for reincidente nessa conduta ou descumprir a sanção aplicada não caberá prisão, porque a Lei de Drogas prevê para o reincidente o aumento do prazo da duração da prestação de serviços ou do curso educativo enquanto no caso de descumprimento ficará sujeito à admoestação verbal ou pagamento de multa.

Essa análise mostra que descriminalizar o porte de drogas para uso próprio não reduzirá a população carcerária brasileira. A comprovar isso, o Infopen de 2014 apontou que no Brasil 28% das pessoas estão detidas por tráfico de drogas, 25% por roubo, 13% por furto e 10% por homicídio, sem qualquer registro de presos por porte de drogas.

Se essa providência não trará efeito de liberar vagas no sistema prisional poderá gerar outros impactos para a sociedade e para o Estado brasileiro? Acerca disso pouco se fala.

Para justificar essa mudança normalmente são comentadas medidas relativas ao porte de drogas adotadas em outros países, a maior parte deles muito diferentes do Brasil, seja pelo número de habitantes, extensão territorial e de fronteiras, nível do desenvolvimento humano e educacional, capacidade de cumprir e fazer cumprir as leis, percentual de pessoas que já consomem drogas, disponibilidade da rede de atenção e serviços para usuários de drogas e diversas outras características a indicar que certamente alguns efeitos considerados positivos nesses países não seriam reproduzidos no Brasil.

Outro argumento empregado é a ideia pouco clara que a descriminalização seguida da legalização de alguma droga ilícita retiraria poder do narcotráfico com desprezo ao fato de que o que move o crime organizado não é a obediência à lei, mas obtenção de lucro e de recursos para manter sua estrutura e poder paralelos. Caso se imagine que o Brasil possa controlar a produção e a distribuição dessas substâncias não cabe esperar que ele, as empresas ou as pessoas credenciadas para comercializar drogas conseguirão evitar o consumo entre os mais vulneráveis ou atender pronta e eficazmente aos casos de abuso dessas substâncias ao indivíduo, às famílias, à economia e à sociedade.

A questão do abuso das drogas deve considerar as políticas públicas permanentes e baseadas em evidências científicas no campo da prevenção, do tratamento e da reinserção social. Ações de prevenção universalizadas, que alcancem crianças, adolescentes, jovens e familiares. Medidas de atenção e tratamento diversos ofertados por órgãos e serviços públicos apoiados pela sociedade e seus organismos vivos preparados para enfrentar esse problema, como os grupos de mútua ajuda vocacionados em apoiar a recuperação. Reinserção social daquele que enfrentou o abuso do álcool ou das drogas e deve estudar, trabalhar, enfim, viver sem rejeição ou preconceito.

Retornando ao sistema prisional, o Infopen não toca no percentual dos presos envolvidos com o uso problemático de álcool e outras drogas já apontado atingir 80% das pessoas recolhidas em presídio do Estado de São Paulo porque conforme previsão nos artigos 26 e 47 da Lei de Drogas ao ser constatada essa situação pelo juiz e confirmada por profissional de saúde com competência específica há garantia da oferta de serviços de atenção à saúde, definidos pelo sistema penitenciário.

Apesar do inegável aumento do número de pessoas presas por tráfico de drogas, tanto ter sido indicado ser ele o crime praticado por um em cada três presos no Brasil, não é apropriado considerar que a Lei de Drogas de 2006 seja exclusivamente responsável por esse aumento sem avaliar, pelo menos, que o Brasil se mantém como principal rota do tráfico de cocaína da América Latina e é considerado o maior mercado mundial do crack e o segundo maior de cocaína, conforme o Instituto Nacional de Pesquisa de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O que se verifica é a ineficácia de descriminalizar o porte de drogas para uso próprio com o objetivo de reduzir a superlotação no sistema prisional, enquanto eventual supressão desse controle exigirá do Estado, das famílias e da sociedade, desprovidos de recursos e carentes de políticas públicas no campo do álcool e outras drogas, maior esforço para enfrentar essa situação.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017





FALTA DE CONCENTRAÇÃO E O RISCO DE SE TORNAR 
DEPENDENTE DE DROGAS.

Jairo Bouer

Muita gente usa álcool e drogas na adolescência, mas só uma parte continua a abusar dessas substâncias na vida adulta. Segundo pesquisadores, uma combinação de dois fatores o que determina a propensão a se tornar dependente:  problemas de memória e de impulso.

Uma equipe da Universidade do Oregon e da Pensilvânia, nos Estados Unidos, avalisou 387 jovens de 18 a 20 anos que participavam de um estudo de longo prazo iniciado em 2004, quando eles tinham de 10 a 12 anos.

Eles perceberam que, além de dificuldades para controlar seus impulsos, os adolescentes que continuavam usando álcool, cigarro e maconha aos 20 anos também apresentavam problemas com a chamada memória de trabalho, ou seja, eles se distraíam com muita facilidade. Os resultados foram publicados na revista Addiction.


Para os pesquisadores, os programas de prevenção ao uso de drogas também deveriam incluir intervenções para melhorar a memória, o aprendizado e o controle do impulso.

sábado, 18 de fevereiro de 2017



MINISTRO PROPÕE MUDANÇAS EM PROJETOS DO GOVERNO SOBRE DROGAS.


O GLOBO

Osmar Terra prega foco em abstinência e defende isolamento de pequeno traficante
POR RENATA MARIZ

Osmar Terra diz que liberação da maconha pode aumentar índices de violência - André Coelho

BRASÍLIA — Após se autonomear representante do Ministério do Desenvolvimento Social no Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas (Conad), o titular da pasta, Osmar Terra, começou a revisar o material de capacitação do governo federal na área de atenção a dependentes químicos. Ele vai propor alterações no conteúdo dos cursos, que são voltados a profissionais de saúde, justiça, assistência social, líderes comunitários e outros agentes envolvidos no tema das drogas.

Na avaliação de Terra, as capacitações, que são patrocinadas pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), à qual o Conad está ligado dentro do Ministério da Justiça, não incentivam o tratamento e a abstinência, e só se concentram na política de redução de danos, que tem como objetivo diminuir os problemas de saúde decorrentes do uso de drogas entre usuários que não querem ou não conseguem abandonar o vício.

— Todos os textos, o material de capacitação para discutir a questão das drogas, tratam apenas de redução de danos. Eles não pregam que a pessoa tem que se tratar, tem que ficar em abstinência. É um dinheiro jogado fora — critica o ministro.

Ele ataca também os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), onde é ofertado tratamento para dependência química no Sistema Único de Saúde (SUS), por trabalharem na lógica da redução de danos:

— Os Caps não têm resultado prático. As mães ficam desesperadas. Levam os filhos e, no dia seguinte, eles estão usando droga de novo, porque nos Caps dizem: “não tem problema, só não fuma na latinha, usa cachimbo de vidro, usa seringa descartável”.

Médico com mestrado em Neurociência e forte atuação parlamentar contra a descriminalização das drogas, Terra defenderá que, além da redução de danos, os cursos ampliem o foco em iniciativas que levem ao abandono do uso. Ele já fez as propostas de alteração no material e tem cobrado a realização de uma reunião do Conad para apresentar as sugestões.

Desde que se nomeou para uma das cadeiras, em agosto, houve apenas um encontro, segundo Terra. Na ocasião, o clima ficou tenso, principalmente entre o ministro e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e da União Nacional dos Estudantes (UNE), de acordo com relatos.

Terra criticou o ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, que defendeu a legalização do uso da maconha e, caso a experiência desse certo, também da cocaína. Ele disse que Barroso “parte de premissas equivocadas sem qualquer evidência empírica ou histórica”. E, citando experiências internacionais, diz que nenhum país liberou drogas:

— Ao contrário do que dizem, o Uruguai não liberou as drogas. Liberou a venda de maconha em farmácia e a produção em quintal. Nos últimos dois anos, aumentou o tráfico das outras drogas com 2.700 presos, num país de 3 milhões de habitantes. Portugal descriminalizou o uso, o que na prática ajuda a liberar a droga, mas traz uma contradição: 
tu pode comprar, mas o outro não pode vender. Lá também todos os índices de violência pioraram. Nos Estados Unidos, os estados que liberaram nunca tiveram tanta mendicância e tanto homicídio. Tenho tabelas com os números.

Além do aumento da criminalidade, Terra aponta o adoecimento e a desagregação social como consequências certas da liberação das drogas. O ministro refuta ainda a ideia de que o tráfico e a violência a ele associada acabarão após a liberação, o que chama de “mais uma distorção” do debate sobre drogas:

— Primeiro que não vai deixar de existir o tráfico, isso não ocorre como uma fórmula mágica, e não é o tráfico que mais mata. A diferença é que a morte do tráfico é documentada, fica registrada. A morte do transtorno mental, da violência doméstica, dos latrocínios cometidos por quem está em busca de droga não aparecem, mas matam muito mais.

Ao contrário de uma corrente cada vez mais numerosa que prega o fim da restrição de liberdade de pequenos traficantes para não fornecer mão de obra às facções criminosas dentro de presídios, e também por considerar a medida desmesurada, o ministro defende que eles sejam retirados de circulação:

— Acho que esse dito pequeno traficante é o único traficante, não tem outro. O outro é o atacadista. Quem faz a droga circular é esse. Ele tem que sair da rua, não digo que ele tenha que ficar no presídio com o Fernandinho Beira-mar. Lá no Rio Grande do Sul, tem uma proposta de ter presídio, que pode ser chamado de instituto penal ou qualquer outro nome, em que eles fiquem em tratamento, separados dos criminosos que cometeram crimes mais graves.

Terra considera a lei atual, criticada por muitos como responsável por encarcerar desnecessariamente usuários e pequenos traficantes, “frouxa”, e afirma que o aumento do número de presos por envolvimento com drogas é apenas um reflexo do aumento da atividade nas ruas do país:

- O número de presos por droga não é por causa da lei. A lei é ruim, frouxa, não prende ninguém. O aumento de pessoas detidas por causa de drogas é pelo surto epidêmico de drogas que estamos vivendo. Nunca teve tanto traficante vendendo droga. A oferta é gigantesca.


O ministro ironiza a crítica contra a chamada “guerra às drogas”, afirmando que todos os países se opõem aos entorpecentes com regras limitadoras porque os danos são expressivos:— As drogas sempre existiram, é verdade, mas de forma artesanal. Quando começa a produção industrial, os países passam a proibir, porque era uma desagregação social numa escala tão grande que teve de ser proibida. Não tem nada de moderno em liberar drogas.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017




A DESCRIMINALIZAÇÃO DA MACONHA SERÁ SOLUÇÃO
OU AUMENTARÁ OS PROBLEMAS?

No momento em que se discute a possível descriminalização da maconha, é sempre bom lembrar de que os problemas causados pelo uso de substâncias psicoativas apresentam-se atualmente, como um grave problema de saúde pública. Além dos problemas com as drogas legalizadas o álcool e o tabaco com a descriminalização do uso da maconha haverá um aumento no número de dependentes e o Estado terá um gasto ainda maior para tratar também os problemas de saúde desses usuários.
Muitas dúvidas surgem em torno da descriminalização do uso da erva, cito como exemplo: A descriminalização da maconha será solução ou aumentará os problemas relacionados á saúde, aos acidentes? Quem irá produzir? Qual a quantidade de drogas para uma pessoa ser considerada usuário ou traficante? Qual o impacto da descriminalização na saúde das futuras gerações, especialmente dos adolescentes?
Vamos rever a opinião de 04 especialistas sobre os malefícios causados pelo uso da maconha:
Dr. Claudio Jerônimo – Psiquiatra

É relativamente fácil identificar um transtorno psicótico transitório induzido por maconha. Os sintomas têm relação com o uso da substância e se desenvolvem dentro de um mês após o uso ou durante a intoxicação. Classicamente se apresentam como delírios (ideias persecutórias), alucinações auditivas, prejuízo da crítica e agitação psicomotora, e melhoram com a abstinência. Também é fácil reconhecer quando a maconha está associada à esquizofrenia. Após um período de uso, principalmente na adolescência, o paciente apresenta um surto psicótico típico com delírio, alucinação, discurso desorganizado, embotamento afetivo, disfunção social progressiva e, ao longo do tempo, piora dos sintomas negativos, tais como embotamento, alogia (falta de raciocínio lógico) e avolição (falta de motivação para tarefas do cotidiano). Esse é um quadro grave, incurável e totalmente incapacitante.
Dr. Valentim Gentil – Psiquiatra

A maconha não é um fármaco. É uma mistura de flores, folhas e hastes da planta Cannabis sativa (cânhamo). Ela contém centenas de substâncias, algumas com possível ação terapêutica, outras altamente tóxicas. Haxixe e skunk são outras misturas. Os efeitos psicoativos e medicinais da Cannabis são conhecidos há séculos. Suas ações no cérebro são produzidas pelos canabinoides. O delta-9-tetraidrocanabinol (THC) melhora náuseas, dores e espasticidade (contração muscular involuntária), mas também é o principal responsável pelos efeitos psicoativos, como alterações do humor, do pensamento e do comportamento, alucinações e outros distúrbios de percepção. Outra molécula presente na maconha é o canabidiol (CBD), que tem sido testado para uso medicinal em neurologia e psiquiatria. Há muito se sabe que o uso de Cannabis agrava transtornos mentais pré-existentes. O THC e outros canabinoides, diferentemente do álcool e do tabaco, podem gerar estados psicóticos agudos e crônicos. A interação entre predisposição genética e demais fatores físicos e emocionais que resultam na constituição do indivíduo, o início precoce do uso, a frequência do consumo e o alto teor de THC pode causar e não só desencadear psicoses, antecipar a idade do primeiro surto e levar à persistência da psicose mesmo após a interrupção do uso da droga.
Dr. Ronaldo Laranjeira – Psiquiatra


É importante pontuar uma questão: existe uma diferença entre fumar maconha e usar uma substância presente em sua composição para fins medicinais. A comunidade médica é favorável sim ao uso terapêutico de substâncias, o que é muito diferente de simplesmente apoiar o ato de fumar maconha, que contém centenas de outras substâncias, muitas nocivas ao organismo. Diversos estudos demonstram que o THC afeta os sistemas vascular e nervoso central, alterando o funcionamento normal do cérebro e provocando diversas reações. Um estudo conduzido durante vinte anos pelo pesquisador Wayne Denis Hall, conselheiro da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou que a droga se caracteriza por ser viciante (um em cada dez adolescentes que fumam maconha frequentemente se torna dependente), pelo comprometimento intelectual em usuários regulares (prejudicando atividades como estudos ou trabalho) e por dobrar o risco de desenvolvimento de doenças psíquicas, como esquizofrenia e síndrome amotivacional, uma doença muito similar à depressão, que provoca falta de motivação para realizar tarefas.
 Dr. Antônio Geraldo da Silva – Psiquiatra


Sou contra qualquer facilitador de acesso a qualquer droga. Sou contrário ao acesso ao cigarro e ao álcool, é preciso deixar claro que isso não diz respeito somente à maconha. Sou médico, como posso facilitar o acesso a substâncias que causam doenças mentais? A descriminalização da maconha vai aumentar e muito o número de pessoas com transtornos mentais. Hoje, o sistema público não consegue ter espaço para atender os alcoólatras que temos. Vamos ter o uso de mais uma droga que muda a atitude das pessoas? A nossa luta é para dificultar o acesso ao álcool e jamais discutir o acesso a outra droga. O Brasil não comporta mais doentes. Temos 2 milhões de dependentes de maconha, libera tudo e vamos ver como vai ficar isso. Você vai entrar em um avião e vê que o comandante tem um maço de maconha no bolso. Como você vai se sentir? Você está em um centro cirúrgico, sua mãe vai entrar para a operação, o médico chega com um maço de maconha no bolso, como fica a sua tranquilidade? Tem gente que tem o absurdo de dizer que a maconha não provoca nada. Quanto estão ganhando para dizer isso? [4]
Organizações criminosas
Sabemos que as drogas fazem mal, levam a dependência, causa mortes, destruições, violência. A descriminalização não é o caminho para resolver ou diminuir os problemas. As organizações criminosas serão beneficiadas com a descriminalização, já que aumentará o número de “clientes”, de usuários e dependentes e assim os traficantes expandirão cada vez mais suas vendas.


*Adriana Moraes - Psicóloga da SPDM (Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina) - Especialista em Dependência Química - Colaboradora do site da UNIAD (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas).

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017



PRECISAMOS CRIAR UM LOBBY LEGÍTIMO
DE DEFESA DOS VALORES FAMILIARES E SOCIAIS.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu recentemente a legalização da maconha como forma de aliviar a crise do sistema penitenciário brasileiro. Segundo ele, a medida desmontaria o tráfico de drogas e, com isso, o número de condenados diminuiria. O ministro afirmou ainda que, se a experiência desse certo com a maconha, seria o caso de legalizar também a cocaína.

Inacreditável a superficialidade da afirmação! Legalize-se o crime e está tudo resolvido.

O ministro Barroso, infelizmente, não se dá conta do peso da toga e do alcance das suas opiniões. Transmite o descompromisso de um comentário de mesa de bar. Conseguiu a manchete. Mas em nada contribuiu para uma discussão séria e construtiva.

Os últimos 20 anos caracterizam-se por um intenso aumento do consumo de drogas no Brasil e, proporcionalmente, um declínio em várias partes do mundo. A resposta dos governos tem sido amadorística, fragmentada e absolutamente insuficiente para enfrentar todos os desafios.

O governo federal, infelizmente, tem sido tolerante com os nossos vizinhos produtores de drogas (Bolívia, Colômbia, Paraguai e Peru) e até mesmo com milícias como as Farc. Com essa atitude leniente deixamos desenvolver um grande mercado de drogas, de norte a sul, de leste a oeste, nas grandes e pequenas cidades.

Não existe região brasileira hoje que não esteja duramente marcada pela tragédia das drogas. É uma rede complexa, que envolve desde uma dona de casa, a um motorista de taxi, um usuário de drogas, resultando num mercado cada vez mais intricado, com vários tipos de trocas, e envolvendo outras atividades legais, como transporte, estocagem, aviação e até mesmo bancos.

A partir de 2006, com a Lei 11.343, nenhum usuário foi preso simplesmente pelo fato de consumir drogas. Essa mudança legal na época foi considerada boa até mesmo pelos setores da sociedade que defendem a legalização das drogas. Ela poderia ter sido um avanço se, com a despenalização do usuário, fosse acrescentado como alternativa o necessário encaminhamento para tratamento e orientação, como uma das medidas para não só ajudar o usuário, mas também enfraquecer a rede do narcotráfico. Nada disso foi feito e o que aconteceu nestes últimos dez anos foi um contínuo aumento e a diversificação do tráfico e do consumo.

Os países que conseguiram combinar uma ação legal firme com uma estrutura de tratamento efetivo poderiam ser considerados paradigmas para o Brasil. A Suécia, por exemplo, mudou sua atitude depois de reconhecer o impacto negativo das medidas mais “liberais”. Lá – onde o consumo de drogas voltou a ser ilegal após cerca de 30 anos de liberação – os dependentes surpreendidos por qualquer agente da lei, da segurança ou do serviço social devem ser encaminhados para tratamento. Esse tipo de política, que é consensual na Suécia, leva os diferentes partidos a desejarem que a próxima geração de suecos não faça uso de nenhuma droga.

Essas histórias de sucesso não são levadas em consideração pelos paladinos da legalização das drogas no Brasil. Esse lobby está com uma ação no STF que pede a descriminalização do porte de drogas. Um pedido de vista do ministro Teori Zavascki interrompeu o julgamento. Com a morte do ministro, o sucessor dele vai herdar o processo. O argumento falacioso é de que o uso de drogas é um comportamento que afeta somente o indivíduo e, portanto, seria inconstitucional uma lei cerceando esse direito.

Uma pesquisa com familiares de dependentes químicos, feita em parceria com a Federação Brasileira do Amor Exigente (entidade que organiza mais de mil grupos por todo o Brasil), mostra que o impacto está longe de ser individual. Segundo o levantamento, para cada usuário, quatro pessoas são afetadas pelo problema.

Não existe nenhuma história de sucesso de países que tenham conseguido diminuir o tráfico de drogas por flexibilizar as leis e o consumo. Na Holanda, quando foram instituídos os chamados coffee shops, locais que permitiam a venda de maconha, tanto o consumo no país quanto o tráfico local aumentaram muito.

O tráfico sempre funciona 24 horas por dia, vendendo a um preço acessível (afinal, não tem incidência de impostos em seu produto) e até para menores de idade. Mesmo no Colorado, nos Estados Unidos, que por plebiscito passou uma lei legalizando a maconha, as evidências são de que o consumo só cresceu, assim como o tráfico. Em Portugal, que também descriminalizou as drogas, fazendo o usuário enfrentar apenas um processo administrativo, as evidências científicas independentes, como do Centro Europeu de Monitoramento de Drogas, mostram que aumentou o uso, sob vários aspectos.

O STF deverá manifestar-se sobre a nossa Constituição, mas na essência deverá manifestar-se sobre os nossos valores e, especialmente, sobre o nosso futuro como nação. Não podemos deixar que minorias ativas e politicamente corretas tomem conta do nosso destino. Precisamos criar um lobby legítimo de defesa dos valores familiares e sociais. Equívocos têm consequências e apresentam uma dura fatura humana.

Registro, amigo leitor, um sugestivo texto do papa Francisco: “São tantos os ‘mercadores de morte’ que seguem a lógica do poder e do dinheiro a todo custo! A chaga do tráfico de drogas, que favorece a violência e que semeia a dor e a morte, exige da sociedade um ato de coragem. Não é deixando livre o uso das drogas, como se discute em várias partes da América Latina, que se conseguirá reduzir a difusão e a influência da dependência química. É necessário enfrentar os problemas que estão na raiz do uso das drogas, promovendo uma maior justiça, educando os jovens para os valores que constroem a vida”.


Carlos Alberto Di Franco, O Estado de S. Paulo.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017




O FUMO PASSIVO É UM DOS PROBLEMAS MAIS GRAVES EM PEDIATRIA E PODE MATAR AS CRIANÇAS.

Fumantes passivos são aqueles que convivem (no mesmo ambiente) com pessoas que fumam e, por diversos motivos, se expõem aos componentes cancerígenos e tóxicos exalados pela fumaça do cigarro da mesma maneira de quem os consome. E pensar em fumar fora de casa, no quintal, na varanda ou área de serviço, por exemplo, não diminui os riscos à saúde das crianças como se imagina. No texto de hoje vou falar sobre os principais cuidados e dicas para evitar problemas respiratórios derivados do tabaco.

Não fume próximo de crianças, o cigarro concentra mais de 4, 7 mil substâncias tóxicas que são extremamente agressivas para a saúde de bebês e crianças. O alcatrão, por exemplo, é cientificamente comprovado como cancerígeno, o monóxido de carbono da fumaça agrava a oxigenação no sangue e eleva as chances de obstrução dos vasos sanguíneos (aterosclerose).

Mesmo minutos depois de apagar o cigarro, é comum, o fumante eliminar as substâncias nocivas adquiridas pelo trago através da pele, respiração e contaminação da roupa e do cabelo. A probabilidade de a criança desenvolver doenças respiratórias aumenta significativamente e, ainda, segundo o Ministério da Saúde, o fumo passivo pode ser letal e eleva em 30% as chances de câncer de pulmão e em 24% o risco de infarto.

Problemas de saúde - já sabemos que pessoas expostas aos malefícios do cigarro são mais suscetíveis a doenças crônicas como asma, bronquite e pneumonia. A curto prazo as crianças podem apresentar irritação nos olhos, dor de cabeça, náuseas, tosse, falta de ar e sinusite crônica. Os pulmões, vias aéreas, brônquios, fígado e bexiga são os órgãos mais corriqueiros para desenvolver câncer por causa das substâncias do tabaco e isso vale tanto para fumantes ativos e como para os passivos. Problemas auditivos (perda auditiva neurossensorial) podem ser relacionados à exposição ao fumo, de acordo com a Universidade de Medicina norte americana.

Vale dizer que os problemas ocasionados pelo cigarro vão além dos aspectos físicos. Problemas psiquiátricos e psicológicos também acontecem decorrentes de ansiedade e depressão por conta dos gases tóxicos inalados da fumaça. Nas crianças, afeta a concentração, dificulta o aprendizado e interfere diretamente no comportamento dentro e fora de casa (ficam mais irritadas).

Riscos para crianças - fumar durante a gravidez pode provocar aborto, gestação de risco com desenvolvimento do embrião fora do útero, retardo mental e baixo peso dos bebês. Na amamentação (e gestação) aumenta em 50% as chances da Síndrome da Morte Súbita Infantil em bebês por conta da nicotina e das toxinas que são repassadas de mãe para filho pela corrente sanguínea e pelo leite materno. Há, ainda, overdose tóxica ou parada cardíaca. Ao ter contato com a fumaça, que não tem filtro como em um cigarro, a criança está exposta até três vezes mais ao monóxido de carbono e a nicotina, sem falar nas substâncias cancerígenas que se elevam até cinquenta vezes mais. Em outras palavras, os fumantes passivos, em especial crianças, sofrem muito mais com os males do cigarro do que os fumantes propriamente ditos.

Dicas - Se você fuma ou algum parente próximo presente na vida das crianças também, avalie a possibilidade de parar. Procure ajuda e diminua consideravelmente a quantidade de cigarros. Sabemos que não é fácil e tão pouco um processo rápido, mas vale a pena recorrer aos tratamentos oferecidos pela rede pública e privada para salvar a sua vida e de outras pessoas. O cigarro deixa a pessoa fedida, com tons de pele amarelados, cabelos ressecados e dependente de algo que só faz mal para a saúde. Opte por momentos mais felizes ao lado das crianças, compartilhe emoções do bem e consuma produtos que contribuam para a o bem-estar.

Dra. Priscila Zanotti Stagliorio

É médica pediatra há mais de dez anos, atua na zona norte de São Paulo, em consultório particular, no Pronto Socorro do Hospital São Camilo - unidade Santana, e na rede Dr. Consulta - unidades Tucuruvi e Santana. Em seu currículo possui diversas participações em congressos, cursos de especialização e atuações em prontos socorros, clinicas e ambulatórios médicos da grande São Paulo - Capital. Oferece curso personalizado para gestantes e mamães com recém-nascidos, com o objetivo de ajudá-las na mais importante missão de suas vidas: ser mãe.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017




A PRÁTICA DE BINGE DRINKING ENTRE JOVENS E O PAPEL DAS PROMOÇÕES DE BEBIDAS ALCOÓLICAS: UMA QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA.

O uso nocivo do álcool é responsável por cerca de 3,3 milhões de mortes no mundo, a cada ano.1 As comparações temporais das estimativas da carga global de doenças atribuíveis a diferentes fatores de risco sugerem que as mortes e os anos de vida perdidos ajustados por incapacidade (Disability-Adjusted Life Years [DALYs]) atribuídos ao álcool têm aumentado nas últimas décadas, em nível mundial. Essas alterações levaram a um incremento na posição do álcool no ranking das principais causas de morte e de incapacidade no mundo, passando do oitavo lugar, em 1990, para o quinto lugar, em 2010. Os dados disponíveis sugerem que o uso nocivo do álcool é o principal fator de risco para morte e incapacidade de pessoas entre 15 e 49 anos de idade, em diversos países.2

Destaca-se o fato de a severidade das consequências do uso de álcool depender da frequência e das quantidades consumidas.3 Um padrão de consumo de risco que tem despertado interesse internacional e, apenas recentemente, começou a ser investigado no Brasil, é o denominado binge drinking (BD),4 ou ‘beber pesado episódico’.5 Este padrão costuma se caracterizar pelo consumo de no mínimo quatro doses de álcool em uma única ocasião, para mulheres, e cinco doses para homens, o que leva a uma concentração de etanol no sangue de 0,08% ou superior.6 No entanto, a definição de BD é controversa, permeada por conflitos de conceituação influenciados pela cultura de uso e aspectos farmacocinéticos do álcool.7,8

Tais episódios de uso abusivo agudo de álcool não apenas influenciam a mortalidade geral, também contribuem para agravos à saúde, particularmente aqueles decorrentes de acidentes9 e agressões,10 colocando em risco o intoxicado e a coletividade. Entre a população geral, o BD está associado a maiores ocorrências de abuso sexual, tentativas de suicídio, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, gastrite e pancreatite.11

Trata-se de uma questão todavia pouco estudada na população brasileira,12 apesar de sua relevância no campo da Saúde Pública. O primeiro levantamento nacional dos padrões de uso de álcool no Brasil, realizado em 2005-2006, identificou uma prevalência de BD no ano anterior à pesquisa de 28% em adultos, 40% nas faixas etárias de 18 a 24 anos13 e 53% entre os adolescentes do sexo masculino.14 Estudo realizado em 2010, com estudantes do Ensino Médio das 27 capitais do país, revelou uma prevalência de 32% de prática de BD naquele ano, maior entre os adolescentes mais ricos e nas regiões Norte e Nordeste.15

Apesar de o álcool ser uma droga lícita, sua venda e fornecimento a menores de 18 anos são proibidos por lei no Brasil (Lei federal no 13.106, de 17 de março de 2015).16 Essa proibição não extinguiu a prática, tampouco o consumo do álcool entre adolescentes; porém, há evidências de que o aprimoramento das leis contribuiu para a redução do consumo de bebida alcoólica entre adolescentes brasileiros a partir do final da década de 1980.17

Bares e “baladas” são o principal local de escolha para a prática de BD pela população geral18 e por estudantes.19 Mundo afora, esses estabelecimentos são conhecidos como locais de consumo intenso de álcool, e de outras drogas.20 Contudo, pouca atenção tem sido dada a esses ambientes enquanto locais de risco e exposição extrema à prática de BD e de outros comportamentos associados.

O beber em binge também é o comportamento de risco mais prevalente em baladas na cidade de São Paulo-SP. Estudo realizado no ano de 2013,21 entre jovens dessa cidade acessados em baladas dos mais diferentes perfis, evidenciou que cerca de 30% dos entrevistados saiu dos estabelecimentos com dosagem alcoólica no sangue equivalente à prática do BD. Nas baladas, essa prática aumentou em 9 vezes, para homens, e 5 vezes, para mulheres, a chance de sofrer apagão, ou seja, não saber o que lhes ocorreu após a saída do estabelecimento, quando comparados a “baladeiros” que beberam mas não praticaram BD. O mesmo estudo evidenciou que as baladas open bar favoreceram a prática de BD em ambos os sexos. O fato de os estabelecimentos que adotam o sistema de open bar cobrarem uma quantia fixa (em geral, baixa) e permitirem que se beba em quantidade ilimitada, por toda a noite, faz com que seus frequentadores se sintam compelidos a beber o máximo que podem, fazendo jus a seu gasto comprometido.22

A estratégia de donos e gerentes de bares e baladas é focar no estímulo ao consumo excessivo de álcool de maneira a atrair mais clientes, que, na maior parte das vezes, acabam escolhendo o estabelecimento, para o qual se dirigirão durante a noite, de acordo com as melhores ofertas de consumo de álcool.23 São exemplos desse apelo as promoções de venda de álcool que passam pela prática do open bar, consumação mínima (taxa fixa, paga na entrada do estabelecimento, que pode ser convertida em bebida alcoólica; caso o valor não seja consumido, ele não é devolvido ao cliente), promoções como ‘pague 1 e leve 2’ e combos - venda combinada - de destilados (em geral, vodca) e energéticos, em que a compra da combinação de produtos acaba sendo vantajosa financeiramente, frente à venda de cada produto isolado. Cabe informar que a cobrança de consumação mínima, apesar de amplamente difundida em casas noturnas, é uma forma de venda proibida pelo Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990),24 caracterizada pela lei como uma prática de venda abusiva porque o cliente paga o valor mínimo cobrado mesmo que não consuma o equivalente em bebida; ou seja, paga por algo que não recebe. Nesse sentido, é fundamental que haja fiscalização para cumprimento da lei. A venda combinada de destilados e energéticos, outro exemplo de abuso, deve ser rigorosamente reprimida, além do que os energéticos mascaram os efeitos depressores da bebida e aumentam o apetite pelo álcool, estimulando o consumo de doses muito maiores do que as toleradas pelo organismo. O consumo combinado foi identificado como preditor da prática de BD.25

O open bar é a forma de venda de bebida alcoólica mais associada a um consumo intenso de álcool no país22 e no exterior.26 No Brasil, a venda de álcool em open bar é permitida e amplamente difundida. No passado, houve a tramitação de um projeto de lei com o objetivo de proibi-la (PL nº 3414/2008), entretanto arquivado. É crucial que a sociedade passe a debater a adequabilidade desse tipo de diversão, responsável por muitas intoxicações alcoólicas, casos de estado de coma - grau máximo de alteração da consciência provocado pelo excessivo consumo - e inclusive morte.

Estudos internacionais evidenciam que o excesso de ingestão de bebidas alcoólicas nas casas noturnas e bares está associado a mais episódios de agressão física,27 comportamento sexual de risco,28 violência sexual,29 acidentes de trânsito nos arredores30 e atos violentos nas ruas, sem mencionar as diversas ocorrências de violência dentro de estabelecimentos de lazer noturno, afetando os jovens frequentadores e a comunidade.31-32

A violência nesses estabelecimentos se manifesta nos moldes de uma relação complexa entre características pessoais dos frequentadores, padrões de consumo de álcool e outras drogas, fatores ambientais, conduta dos funcionários e tipo de local,33 e só pode ser efetivamente reduzida com a aplicação de medidas que visem diminuir a quantidade de doses de bebida alcoólica consumidas.34 Estudo realizado no ano de 2007, em contextos recreativos noturnos na Espanha, verificou que 45% de seus frequentadores haviam se embriagado mais de 2 vezes no último mês, e 23% tinham se envolvido em brigas no último ano, dentro desses estabelecimentos.27

Diante das evidências, faz-se necessária intervenção imediata para que os danos individuais e sociais decorrentes da prática de BD sejam reduzidos. Sabe-se que a melhor forma de prevenir os danos associados ao abuso de álcool em uma comunidade é a implantação de políticas públicas em diversas dimensões, sendo a taxação sobre a venda de álcool e o controle de vendas as que têm demostrado maior sucesso, segundo estudos internacionais, seguidas de políticas de restrição severa na propaganda de bebidas alcoólicas.35 No caso dos frequentadores de bares e baladas, políticas na forma de leis que proíbam a venda de bebida alcoólica para pessoas já embriagadas seriam importantes do ponto de vista da proteção imediata, individual e coletiva.36 Em diversos países, uma das legislações mais efetivas na prevenção dos danos causados pela intoxicação alcoólica é o controle da densidade de locais licenciados para a venda de bebidas alcoólicas, impondo-se um limite ao número de estabelecimentos que vendam álcool em cada região administrativa da cidade.37 No Brasil, um primeiro passo a ser dado seria o de estabelecer a necessidade de licença diferenciada aos estabelecimentos, para venda de álcool. É mister que tanto o controle na expedição das licenças de venda como a taxação aumentada sobre os produtos alcoólicos sejam fiscalizados de maneira adequada, para não estimular a venda ilegal por ambulantes que se aglomeram em frente a bares e baladas, oferecendo bebidas de procedência duvidosa e a preços muitas vezes irrisórios. O controle de licenças para venda, portanto, é o passo anterior a todas as demais políticas públicas reconhecidamente efetivas, voltadas à redução dos danos associados ao abuso de álcool.

As mudanças necessárias não são de fácil consecução e podem não contar com suficiente apoio social, pois confrontam a cultura do beber ao extremo, amplamente difundida no país. Portanto, o êxito das medidas que visam regular o comércio do álcool depende, primeiramente, da escolha de políticas baseadas em evidências, além do amplo apoio público e político para que a implantação de uma legislação preventiva do consumo abusivo de álcool seja bem-sucedida no Brasil.

Zila M. Sanchez1
Universidade Federal de São Paulo, Departamento de Medicina Preventiva, São Paulo-SP, Brasil

REFERÊNCIAS
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BARRY SAMPLE, TOXICOLOGISTA: 'A COCAÍNA É A DROGA NÚMERO UM NAS ESTRADAS'.

Agência o Globo

Americano veio ao Rio para negociar instalação de laboratório exclusivo para exame de amostras de cabelo no Brasil

POR HUGO LIMARQUE

'A dependência causa a impressão de que a quantidade empregada não tem o mesmo efeito de antes', explica o toxicologista Barry Sample - Leo Martins / Agência O Globo

"Sou natural de Indianápolis (EUA), tenho 61 anos, dois filhos e trabalho com exames admissionais para empresas. Minha atividade no ramo do teste de drogas se estendeu para o Brasil, de onde analiso amostras de cabelo para determinar se motoristas profissionais estão habilitados a dirigir."

Conte algo que não sei.

Ao contrário dos EUA, cujo departamento de transportes ainda tem a urina como principal tipo de amostra em testes de drogas, o programa adotado pelo Brasil priorizou o cabelo nas avaliações, o que representa, na minha opinião, uma tomada de liderança global. Até porque os americanos se encarregam da maioria dos exames de outros países. O fio capilar é mais completo, na medida em que pode detectar o uso de drogas por, no mínimo, 90 dias.

E como o cabelo consegue guardar informações por tanto tempo?

Quando alguém consome uma droga, ela geralmente leva entre um e três dias para ser eliminada do organismo. No caso do fio de cabelo, a substância é incorporada ao bulbo capilar através da corrente sanguínea e não tem como sair de lá. Nesse caso, o exame pode detectar um consumo de drogas a longo prazo e traçar um histórico de uso. O mesmo raciocínio vale para o pelo.

O exame de cabelo poderia ter outras utilidades?

Certamente. O teste de drogas em geral pode ir além da aplicação no transporte. Alguns empregadores nos EUA utilizam exames toxicológicos para promover um ambiente de trabalho livre de drogas, onde os funcionários estejam seguros e não percam produtividade. Há estudos por lá que mostram que empresas abertas à política de testes sofrem menos com acidentes de trabalho.

Por que o Brasil vai passar a ter um laboratório próprio para examinar cabelo?

Desde março de 2016, todos os motoristas de caminhões, ônibus e vans do Brasil são obrigados a fazer o teste do cabelo se quiserem tirar ou renovar a carteira de habilitação. Com isso, milhares de amostras hoje são levadas para os EUA. É uma logística complexa, que prolonga o ciclo do teste e tem um custo adicional. Um laboratório no Brasil diminuiria os gastos e possibilitaria um serviço mais ágil.

Falando em caminhões, é senso comum no Brasil que os motoristas desses veículos costumam usar drogas para se manterem vigilantes ao volante durante a noite. O resultado dos testes corrobora com essa afirmação?

Eu não tenho como dizer que isso é verdade, mas, entre as categorias de motoristas que participam do teste, os resultados mostraram que o principal positivo para drogas no Brasil, em cerca de 70% das amostras, se deve à cocaína. Esse número sugere que talvez o consumo não esteja ligado necessariamente à recreação, mas também ao uso ocupacional. Os caminhoneiros preferiam anfetaminas, mas trocaram de substância porque a cocaína é mais barata e acessível. No entanto, ambas levam o usuário a se drogar mais, porque a dependência causa a impressão de que a quantidade empregada não tem o mesmo efeito de antes.

Você participou do controle antidoping nas Olimpíadas de Atlanta, em 1996. Como foi a experiência?

Lembro que surgiu uma nova droga na época, o psicoestimulante bromantan. Também fui responsável pelos procedimentos laboratoriais durante os Jogos Panamericanos de Indianápolis de 1987 e encontrei atletas usando outra novidade, a probenecida. Parece que a cada Olimpíada alguma coisa diferente aparece.