LEGALIZAÇÃO DAS DROGAS
NÃO É CAMINHO PARA DIMINUIR VIOLÊNCIA.
Sou
firmemente contrário à liberação das drogas no Brasil. Falo como médico,
estudioso do assunto, e gestor de saúde pública por oito anos, como secretário
de Saúde do Rio Grande do Sul e presidente do Conselho Nacional de Secretários
Estaduais de Saúde.
A
experiência me permite afirmar que a epidemia das drogas se constitui no maior
problema de saúde pública e de segurança no país. Com a liberação, aumentará o
número de dependentes químicos das drogas.
Nos últimos
200 anos, já tivemos verdadeiras tragédias sociais em todos os locais onde as
drogas foram liberadas. Junto com o aumento de transtornos mentais decorrentes
da dependência, aumentaram os problemas sociais, de segurança e de saúde. Sem
falar na destruição de milhões de famílias, devastadas quando um de seus
membros se torna dependente. Quem tem um caso de dependência na família sabe do
que falo.
A China, no
século 19, guerreou contra a Inglaterra para (pasmem) poder proibir o ópio. A
Suécia teve graves problemas sociais, de saúde pública e segurança com as
drogas liberadas até que, em 1969, aprovou leis duríssimas contra elas. O mesmo
se passou no Japão pós-guerra. Hoje, China, Suécia e Japão têm baixíssimos
índices de violência e doenças vinculadas às drogas, graças ao rigor das leis.
Os que
defendem a liberação alegam que a proibição fracassou, pois o tráfico de drogas
continua existindo. Ora, o álcool e o tabaco juntos, possuem aproximadamente 40
milhões de dependentes químicos no Brasil, justamente por serem legais e de
fácil acesso. As drogas ilícitas não chegam à sexta parte disso. Se liberadas,
ultrapassariam, facilmente, os 40 milhões de dependentes. Alguém duvida?
Prender
estelionatários e pedófilos não acaba com o estelionato e a pedofilia. Mas,
haveria muito mais se não fossem proibidos. As leis e as proibições não
eliminam totalmente os crimes, mas diminuem sua incidência e o número de
vítimas. Os países que jogaram duro contra as drogas foram os que mais
reduziram o número de dependentes e a violência. É assim da China à Cuba, dos
EUA à Suécia. E nenhum país do mundo liberou o tráfico.
Violência
O argumento
de que álcool e cigarro respondem por 96,2% das mortes entre usuários de
drogas, enquanto cocaína e derivados, por 0,8%, e maconha por nenhuma morte é,
no mínimo, ingênuo. É tanta diferença que para alguém desavisado pareceria
sensato colocar na ilegalidade o álcool e o cigarro e legalizar o crack e a
maconha.
Esses dados
escondem a enorme subnotificação de mortes por drogas ilícitas. Com as lícitas
é fácil fazer a ligação do usuário com a doença. Com as ilícitas, não. Cerca de
25% dos usuários de crack morrem antes do quinto ano de uso, metade pela
violência e a outra metade por doenças ou complicações decorrentes de Aids
(segundo dados da Unifesp).
Como já
chegamos a 2 milhões de usuários de crack, vemos que essa substância pode
causar mais danos que o álcool e o cigarro juntos.
Segundo o
INSS, o crack era responsável, em 2012, por 2,5 vezes mais auxílios-doença por
dependência química que o álcool. Em 2006, a maioria era por álcool.
Interessante registrar é que os defensores da liberação das drogas nunca falam
da gravíssima epidemia do crack, que cresceu muito nos últimos oito anos.
A maconha
também é letal. Os riscos de complicações pulmonares e câncer que ela traz são
maiores que os do tabaco (Fonte: The impact of cannabis on Your Lungs - British
Lung Foundation - 2012). Para compreendermos melhor seu risco, devemos
considerar ainda que ela desencadeia outros transtornos mentais, como
esquizofrenia. A droga ainda está associada a acidentes fatais e, para 2
milhões de usuários, ao crack e à cocaína (Unifesp).
As drogas
ilícitas, lideradas pela maconha, já têm importância maior que o álcool nos
acidentes fatais com veículos (Fonte: Soibelman,Pechansky et cols.2010). Outro
argumento mágico é de que legalizando a maconha, a violência gerada pelas
drogas desaparecerá.
O problema
da violência em relação às drogas é que ela não é gerada só pelo tráfico. Antes
dele estão o transtorno mental e a diminuição do controle sobre os impulsos
causados pela droga no cérebro humano.
A liberação
de drogas causará um aumento colossal no número de pessoas afetadas por esse
transtorno. A violência doméstica, o latrocínio, a violência no trânsito, os
suicídios e até homicídios por discussões banais aumentarão.
Por tudo
isso, devemos, sim, restringir mais o uso do álcool e do cigarro e aumentar o
rigor contra as drogas ilícitas, como propõe o meu Projeto de Lei, o 7663/2010,
já aprovado na Câmara. Não existe outro caminho.
Nenhum comentário:
Postar um comentário