quarta-feira, 8 de agosto de 2012



A tentação do álcool.


Folha de São Paulo - Rosely Sayão
Tive uma conversa muito interessante com a mãe de uma garota de 15 anos. Ela me contou que a filha é extrovertida, faz sucesso em rede social, sempre é procurada por vários colegas e chamada pelo celular o dia todo.
A menina também tem alguns amigos mais chegados que estão sempre por perto.
Mesmo assim, a filha não sai. É convidada para ir a festas, ao cinema, para dormir na casa de colegas, viajar. Mas ela só sai mesmo para ir à escola. Recusa todos os convites que recebe.

Acredite, caro leitor, isso preocupou essa mãe. Curioso o fato, já que as mães de garotas dessa idade costumam se preocupar pelo motivo oposto: filhas que querem sair sempre.
Assim que o sinal amarelo acendeu para essa mãe, ela tomou uma atitude. Chamou a filha para um lanche, disposta a conversar com ela para saber o motivo da sua reclusão. Parece que é comum as duas conversarem sem muitos rodeios.
Dessa maneira, a mãe logo ficou sabendo que a filha tinha lá suas razões para preferir ficar em casa: "Se eu sair, mãe, vou ter de ficar, beijar, talvez transar; vou precisar beber, vou ter de comprar coisas que eu não sei se quero. Então, eu prefiro ficar em casa por enquanto".
É, não tem sido fácil para muitos jovens atravessar essa fase da vida. As tentações têm sido excessivas para eles. E hoje vou ficar apenas em uma delas: a ingestão de bebidas alcoólicas.
Não sei por que os pais têm facilitado tanto a oferta de bebida para esses jovens que mal saíram da infância.
Já ouvi alguns pais declararem que, apesar de serem contra o consumo de bebida alcoólica nessa idade, ofereceriam essa opção na festa de aniversário dos filhos para garantir a presença dos convidados. Isso significa que festa, para eles, não existe sem a presença de álcool?
Quem é adulto e tem controle sobre a quantidade de bebida que ingere sabe os efeitos que o álcool produz no organismo. As sensações de euforia e de segurança para correr riscos costumam ser os principais motivos que levam a garotada a beber.
É uma tentação poder viver, por alguns momentos, sem muita censura e sem grandes dúvidas a respeito do que fazer, não é? Nessa idade, tal tentação é sedutora.
O problema é que eles bebem demais -demais mesmo- , muito cedo e se esquecem de aprender a viver em grupo sem os efeitos que a bebida provoca. Falta coragem, dá medo, provoca angústia. Talvez por isso alguns adolescentes bebam até cair.
Tem sido bem impressionante a quantidade de adolescentes que passam mal, muito mal, depois de beber. É que eles costumam ser exagerados em tudo o que oferece satisfação imediata. É por isso, entre outros fatores, que perdem a medida.
Diversas mães se assustaram com o que viram nessas férias de inverno. Li o relato de uma delas que levou a filha, de 14 anos, com duas amigas para uns dias em Campos de Jordão.
Ficou assustada com o que viu: crianças de 12, 13 anos vomitando em praças, caindo pelas ruas de tão bêbadas que estavam. "Onde estão os pais dessas crianças?" perguntou ela.

Provavelmente por perto, mas sem saber o que fazer.
Quem tem filhos adolescentes não deve ficar impotente, congelado, com receio de ser considerado careta. Aliás, em muitos aspectos, é papel dos pais ser careta.
E é bom saber que isso não impedirá o filho de experimentar muitas coisas. Apenas o ajudará a conhecer melhor seu nível de saciedade com a bebida alcoólica, por exemplo. Para que ela funcione como um mediador social, apenas isso.

Nenhum comentário:

Postar um comentário