domingo, 30 de março de 2014


Falta de cuidado com a saúde mental leva médicos à depressão, dependência química e ao suicídio.

Saúde Plena

Autossuficiência é a palavra que pode sintetizar a dificuldade que o médico tem de procurar ajuda quando adoece. No livro, ‘Médico como Paciente’, a autora e doutora em psiquiatria Alexandrina Meleiro cita o benefício da ignorância como um fator que protege a pessoa leiga de compreender o que vai lhe acontecendo e permite que esse paciente acredite na palavra do médico. Nesse contexto, sentimentos como onipotência e vergonha fazem com que muitos profissionais assumam a automedicação. As consequências são variadas, mas quando o assunto é saúde mental, vemos a categoria amargar incidência alta de dependência química, depressão e taxa de suicídio. No Brasil, essa discussão ainda é tímida, mas os profissionais da saúde terão a oportunidade de trocar experiências na ‘I Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos’, promovida pela Academia Mineira de Medicina nos dias 28 a 30 de março, no auditório do Instituto Biocor, em Nova Lima.

Psiquiatra, coordenador da Comissão de Atenção à Saúde Mental dos Médicos, membro emérito da Academia Mineira de Medicina e idealizador da I Jornada Brasileira de Saúde Mental dos Médicos, José Raimundo da Silva Lippi lembra que as pessoas podem alcançar um nível intelectual muito grande, mas mesmo assim ser emocionalmente frágil. “A saúde mental é um estado que vai sendo alcançado através da capacidade que o ser humano tem de tolerar níveis cada vez maiores de tensões e de frustrações. O homem saudável não é aquele que vence as frustrações, porque elas não são elimináveis, mas sim o que tolera bem os níveis de decepção”, explica.

O médico afirma que quando o estresse está acima do suportável para a pessoa, se ela não procurar ajuda, os descaminhos podem ir da ansiedade ao suicídio. “Quando esse estresse supera o nível que o organismo resiste, os sinais começam a aparecer. Pode redundar em não dormir bem, perder o apetite ou ter apetite exagerado, diarreia, dores que são suportáveis para outras pessoas, mas são muito grandes para os que estão com equilíbrio emocional desorganizado”, salienta.

Para ele, os médicos são motivados pelo desejo de salvar vidas e a Jornada quer chamar a atenção não só da classe médica, mas também da população para a peculiaridade da profissão e os riscos que envolvem esse lavoro. “Falta de condições de trabalho, excesso de carga horária, a tensão da relação médico-paciente são alguns fatores que aumentam a vulnerabilidade do médico em relação a outras profissões. É alguém que precisa conviver com a frustração de não ter salvado uma vida. Às vezes, por imaturidade ou por se considerar um ‘semideus’ sofre mais que os outros”, enfatiza. Lippi acredita que os profissionais precisam se livrar das amarras da onipotência de acharem que sabem de tudo, de deixar a vergonha de lado e procurar ajuda. “Nenhum médico é obrigado a saber toda a medicina, os colegas estão aí para isso”, diz.

Lippi afirma que a depressão é a doença mental mais comum entre os médicos, inclusive entre os psiquiatras. “Todos são suscetíveis a patologias de ordem mental, principalmente aqueles que não se cuidam. É importante lembrar que o remédio cuida do sintoma, mas as causas precisam de atenção na psicoterapia. O médico pode ser um bom ‘receitador’, mas se não souber o que o cliente tem, não vai resolver o problema”, explica. Por isso, a automedicação não deve ser vista como solução.

Suicídio
“Os médicos se suicidam cinco vezes mais que a população geral”, afirma a psiquiatra Alexandrina Meleiro, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), coordenadora da Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio da ABP e membro do Grupo de Atenção da Saúde Mental do Médico. Apesar de ser uma atitude drástica, a Organização Mundial de Saúde (OMS) vem alertado para o aumento da incidência na taxa de suicídio: um milhão de pessoas se mata no mundo anualmente ou uma morte a cada 40 segundos. No Brasil, observa-se um crescimento de 30% no suicídio entre jovens do sexo masculino nas últimas décadas. Entre os médicos, segundo Alexandrina, os mais vulneráveis estão na faixa etária de 35 a 50 anos.

Suicídio tem prevenção. Isso por que a quase totalidade dos casos – 99% - está associada a um transtorno psiquiátrico. A saúde mental é negligenciada por motivos que vão desde a falta de uma rede de apoio organizada para atender o paciente, no caso do Brasil, até não ser reconhecida socialmente como doença em muitos casos. No senso comum, por exemplo, a depressão é confundida com episódios de tristeza e desventuras da vida. Todo esse contexto de preconceito, falta de informação e tabu agrava a busca por ajuda quando o doente é o médico. Problemas de ordem mental ainda são vistos como motivo de vergonha e assunto para – se for para conversar – que seja baixo para ninguém ouvir. Enquanto isso, pessoas têm suas vidas desestruturadas, muitas tentam se matar para amenizar o sofrimento e outras tantas conseguem.

O suicídio é um tema tão complicado que é estimado um número de vítimas duas ou três vezes maior em razão da subnotificação ao registrar a causa da morte. Curiosamente, no caso de médicos, a psiquiatra Alexandrina Meleiro aponta em artigo intitulado ‘Suicídio na população médica: qual a realidade?’, publicada na edição deste mês da Revista Brasileira de Medicina, uma situação contrária. “Na população geral, existe uma tendência de o médico não registrar que a causa da morte foi por suicídio. Geralmente, registra-se a causa externa da internação, como, por exemplo, queda de altura, envenenamento, intoxicação exógena (excesso de remédio). Um levantamento de atestados de óbitos feito pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP) mostrou que, quando a profissão da vítima era a medicina, a palavra suicídio aparecia. Uma das hipóteses é que, por se tratar de um colega, o rigor da notificação é maior. E aí fica a pergunta: será que, de fato, os médicos se suicidam mais ou houve um zelo maior quando se tratava de médico? A resposta eu não sei”, problematiza a psiquiatra.

Alexandrina Meleiro afirma que outra razão para a subnotificação na população geral é que os seguros de saúde e seguros de vida geralmente não cobrem situações de ato voluntário contra a própria vida. “É comum na prática médica registrar a causa externa para proteger a família da vítima”, explica.

O levantamento do CREMESP publicado em 2012 mostra também que, entre as causas externas de morte de médicos em São Paulo, o suicídio aparece em segundo lugar: 21% no caso das mulheres e 18% em homens (veja gráfico). Em primeiro, está o acidente automobilístico, mas para Alexandrina Meleiro, paira uma dúvida: “Foi um acidente de fato ou a vítima usou o carro como meio de suicídio?”, questiona. “Temos um alto índice de mortes por acidentes automobilísticos entre os médicos jovens e não há diferença entre os gêneros. Há um quadro autodestrutivo em que indivíduo teria alguma intenção suicida, são os chamados ‘autocídios’”, explica.
Meleiro aponta algumas hipóteses em relação ao comportamento dos médicos que cometem suicídio:

1. Manifestam especial vulnerabilidade ou experiências de eventos circunstanciais diferentes (recente perda profissional ou pessoal, problemas financeiros ou de licença) em relação aos outros médicos;
2. Tendem a trabalhar mais horas que os outros colegas;
3. Tendem a abusar de álcool e outras substâncias;
4. Estão mais insatisfeitos com suas carreiras médicas que outros médicos;
5. Dão sinais de aviso da intenção de suicidar-se a outros;
6. Têm transtorno mental e emocional com mais frequência;
7. Tiveram dificuldades na infância e seus problemas familiares são comuns;
8. Automedicam-se mais frequentemente que os outros colegas


Dependência química
Trabalho realizado em 2004 na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina (Unifesp) intitulado ‘Perfil Clínico e Demográfico de Médicos com Dependência Química’ mostra que os médicos apresentam taxas similares de uso nocivo e dependência de substâncias em relação à população geral. A incidência varia entre 8% e 14%. O estudo coletou dados de 198 médicos em tratamento ambulatorial por uso nocivo e dependência química.

A frequência de uso nocivo e dependência de opióides (anestésicos derivados da morfina) e BZD ou benzodiazepínicos (popularmente conhecidos como tranquilizantes de tarja preta) é aproximadamente cinco vezes maior entre os médicos que na população geral. Alexandrina Meleiro aponta que o uso de opióides é motivo de suicídio principalmente entre anestesistas.

José Raimundo Lippi alerta ainda que a facilidade de acesso a esses opiácios é uma porta de entrada para a dependência química entre médicos. “Drogas medicinais que só são encontradas em hospitais, principalmente as medicações usadas em anestesia, aparecem como solução para o alívio de tensão”, afirma. Gráficos abaixo mostram alguns resultados do estudo da Unifesp:
O estudo mostrou também os diagnósticos mais encontrados. Em primeiro apareceu a depressão, seguida de transtorno afetivo bipolar e transtornos de personalidade. Na sequência, esquizofrenia e transtorno de ansiedade generalizada. Os pesquisadores apontaram ainda as situações facilitadoras para dependência de drogas. Veja:

1) acesso fácil aos medicamentos
2) perda do tabu em relação a injeções
3)história familiar de dependência
4) problemas emocionais
5) estresse no trabalho e em casa
6) busca de emoções fortes
7) auto-administração no tratamento para dor e para o humor
8) fadiga crônica
9) onipotência e padrão de prescrição exagerada
10) os de especialidade de alto risco (Anestesiologia, Emergência e Psiquiatria)

DEPOIMENTO:
Super-herói de carne e osso
Uma médica e professora universitária de Belo Horizonte que não quer ser identificada conversou com o Saúde Plena. Ela será chamada de Márcia e conta que já se envolveu emocionalmente em histórias não apenas de colegas de profissão, mas de amigos e nomes de referências na medicina que se perderam em jornadas exorbitantes de trabalho que, segundo ela, variam entre 80 a 100 horas semanais. “O médico tem adoecido por um excesso de cobrança, falta de descanso, de sono reparador, uma dieta inadequada, falta de tempo com a família e de uma atividade física, um quadro que leva a uma sobrecarga mental. A carga de responsabilidade é tão grande que muitas vezes conduz a um estado de exaustão”, afirma ela.

Nas três histórias que Márcia acompanhou de perto os profissionais não procuraram ajuda. “A fiscalização não é rígida a esse ponto. O médico pode, por exemplo, prescrever o remédio para esposa, mas para ele usar. Eu mesma já prescrevi para mim. Às vezes é uma questão de praticidade e pode começar com um medicamento para ajudar a dormir. No meu caso, nunca me tratei sozinha e nunca fui dependente de nada, mas tenho várias histórias para contar de ex-professores e amigos. Eles precisaram ser afastados e, em alguns casos, se envolveram até em problemas judiciais”, relata.

O primeiro foi de uma professora referência em trauma com atuação no setor de urgência e emergências de hospitais na cidade. “Era uma pessoa extremamente capacitada, mas tinha uma jornada de trabalho de quase 100 horas semanais. Ela amava o trabalho que fazia e não era casada. Não cuidava quase nada da vida pessoal. Foi quando começou a injetar no próprio corpo um medicamento chamado fentanil que traz uma sensação de alívio, mas é perigosíssimo porque causa várias alterações no organismo e pode até provocar a morte das pessoas. Ela entrou num ciclo de vício tão grande que começou a roubar o remédio do hospital para sustentar o vício. Lembro de um dia ela chegar na sala de aula com a marca do garrote no braço. Foi um choque muito grande por ela ser uma referência para inúmeros profissionais e parou, inclusive, de exercer a medicina”, conta.

Márcia também se recorda de uma história que, infelizmente acabou em morte. “Ele era um padrinho na medicina para mim. Além da graduação em medicina, tinha também a de farmácia. É um exemplo de um profissional que trabalhava muito e começou a oscilar entre buscar uma vida mais equilibrada e entrar na destruição total. Nesse período, os colegas mais próximos costumavam brincar que ele tinha a época do zig, em que comia bem, dormia bem, não bebia e fazia exercício físico; e a época do zag, em que bebia todos os dias e, por compulsão alimentar, comia tudo que viesse na cabeça. Teve um dia em que ele foi buscar umas daquelas fitinhas de exame para detecção de glicose na urina e foi ao banheiro. Como ficou um pouco de urina na mão dele e ele segurou as fitinhas, fez o exame e acabou descobrindo que estava diabético. A pressão arterial dele também era desequilibrada e, aos 53 anos, faleceu de infarto agudo do miocárdio”, recorda-se.

A médica cita também o caso de uma colega casada e com filhos que pegava muitos plantões por semana para, segundo Márcia, pagar as contas. “Ela não descansava. Uma noite, saindo de um desses plantões, foi convidada para tomar cerveja e aceitou. Alguém ofereceu para ela um cigarro que tinha crack. Ela fumou sem saber e começou a se viciar. Tenho amigos que chegaram a buscá-la em cracolândia completamente fora de si. Já faz três anos que ela está em fase de recuperação”, narra. Para ela, a colega descobriu no crack um mecanismo de fuga para aliviar a tensão e tirá-la da rotina maçante.

Márcia acredita que a sensação de uma suposta autossuficiência dificulta que o médico procure ajuda. “Sou médico, sei me tratar. É como se o médico não pudesse fracassar e não pudesse mostrar esse lado humano. E a sociedade ainda acha que o médico sempre tem que dar conta, mas somos um super-herói de carne e osso, tão carne e osso quanto o paciente”, pondera. Para ela, é importante refletir: “até que ponto vale a pena trabalhar tanto parar sustentar um padrão de vida?”.

A médica, que se inscreveu para participar da I Jornada de Saúde Mental dos Médicos, diz que gostaria de convidar os colegas a refletir sobre os seguintes pontos: tempo de jornada de trabalho, tempo para praticar exercício físico, tempo para estar com os filhos e com a família, cuidado com a alimentação. Ela cita o modelo ‘Dahlgren & Whitehead’ de qualidade de vida para nortear a atenção que as pessoas devem dar aos fatores que estão relacionados à saúde.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)

sábado, 29 de março de 2014


RISCO: DE CAMISINHA A DROGAS: 7 NÚMEROS SOBRE OS JOVENS BRASILEIROS.

 Revista Exame

Um terço dos jovens bebem e dirigem, 20% deles fumam e 12% das meninas já fizeram um aborto: veja mais números sobre o comportamento de risco dos jovens brasileiros

Beatriz Sousa

Jovens consomem cigarro de maconha: 5% dos jovens brasileiros relataram ter fumado maconha no último ano
São Paulo - Mais de dois terços dos jovens nunca usam camisinha em suas relações sexuais. O número preocupante faz parte do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), divulgado nesta quarta-feira, que analisou o comportamento de risco dos jovens brasileiros.Chama a atenção o consumo irresponsável de álcool - muitas vezes associado à direção -, o uso de drogas entre os menores e o sedentarismo - apenas 2 em cada 10 jovens fazem atividade física.

Veja a seguir 7 números que refletem o comportamento de risco dos jovens no Brasil:

1. Um terço dos jovens bebe e dirigeMetade dos jovens consomem bebidas alcoólicas. O consumo começa cerca de 3 anos da idade permitida por lei. Isto é, aos 15 anos meninos e meninas já experimentam suas primeiras doses de cerveja.Não só começam cedo, como também bebem muito. Segundo a pesquisa, 36% dos jovens afirma fazer uso nocivo do álcool, isto é, bebem 4 ou mais doses de álcool em 2 horas.Chama atenção também a quantidade de jovens que dirige alcoolizada. Quase um terço dos rapazes entrevistados disseram ter dirigido após beber pelo menos uma vez no último ano. Já as meninas, embora só 4% tenham feito a mesma coisa, quase 30% delas já foi passageira de um motorista embriagado.

2. 2 em cada 10 jovens fuma O consumo de cigarro pelos jovens vem diminuindo nos últimos anos. Entretanto, a parcela de fumantes jovens ainda preocupa. Sobretudo entre os meninos: 5% dos meninos menores de idade e 18% de jovens declararam serem usuários.

3.  Mulheres preferem cocaína à maconhaA maconha é droga preferida dos jovens brasileiros. Cerca de 5% deles relataram ter usado a droga no último ano, sendo os homens a maioria. Já entre as mulheres, o consumo de cocaína (2%) é maior que o de maconha (1,4%).

4.  Quando bebem, jovens brigamSegundo a pesquisa, o uso de drogas e o consumo de álcool está altamente associado com o envolvimento em violência urbana entre os jovens. Pouco mais de 5% dos jovens já se envolveu em brigas.Além disso, embora a violência urbana seja um problema reconhecido pelos jovens 86,3% deles disseram que não evitam frequentar determinados lugares por medo de assalto.

5. Uma em cada 10 meninas já fez um abortoA gravidez na adolescência é sabidamente um problema de saúde pública. Os números são alarmantes: 12% das meninas entre 14 e 20 já sofreram um aborto. A perspectiva também não é boa, visto que 29% dos meninos e 38% das meninas disseram não utilizar camisinha nunca ou quase nunca em suas relações sexuais.

6. Apenas 2 em cada 10 jovens faz atividades físicas

O cuidado com a saúde parece não estar entre as prioridades dos jovens. Cerca de 80% deles disse não fazer nenhuma atividade física pesada, como correr, praticar um esporte ou frequentar a academia. Entre as mulheres, o número é ainda maior: 86% delas não se exercitam.7. Um terço das meninas tem sintomas de depressãoEstima-se que 21.2% da população de jovens possua indicadores de depressão. Nas mulheres, o índice é maior (28,3%) que nos homens.


POR LEI, PAIS SERÃO AVISADOS CASO FILHOS FAÇAM USO DE DROGAS OU ÁLCOOL.
DECRETO FOI PUBLICADO NA EDIÇÃO Nº 163 DO DIÁRIO OFICIAL ELETRÔNICO DO MUNICIPAL DE MONTES CLAROS; PARA JURISTA, LEI REFORÇA O ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE.

FÁBIO CORRÊA

Hospitais e escolas de Montes Claros terão de avisar os pais caso suspeitem que crianças ou adolescentes estejam fazendo uso de álcool e outras drogas. Isso é o que estabelece uma lei sancionada em 18 de março pelo município da cidade da região Norte de Minas Gerais.

De autoria do vereador Edmílson Magalhães (PP), a Lei 4.700 obriga hospitais, clínicas, ambulatórios, unidades de saúde e escolas (públicas ou privadas) de Montes Claros a informar o Conselho Tutelar caso tenham suspeitas ou confirmações de que crianças ou adolescentes estejam fazendo uso dessas substâncias. O Conselho Tutelar, por sua vez, terá de notificar os pais ou responsáveis caso receba uma notificação a esse respeito. O decreto foi publicado na edição nº 163 do Diário Oficial Eletrônico do Município de Montes Claros.

De acordo com o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança, Adolescente e Jovem da OAB-MG, Stanley Gusman, a lei é positiva por reforçar o que está previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

"O que essa lei faz é criar mais um dispositivo de acionamento do Estatuto, que institui como dever da família, da sociedade e do poder público a garantia dos direitos dos jovens. Infelizmente, isso não vem sendo cumprido, pois acaba-se ocultando ocorrências desse tipo."

Para o jurista, a Lei 4.700 irá, com os dados recolhidos, gerar um conteúdo a partir do qual um trabalho mais amplo poderá ser planejado. "Quando as autoridades competentes são notificadas sobre o que está acontecendo com o adolescente e a criança, abre-se um espectro que serve como base para o atendimento do Estado", avalia.


“A MACONHA É A MACONHA DOS INTELECTUAIS”.

Pois é… A direção da Universidade Federal de Santa Catarina admitiu que o consumo de maconha no campus não é novidade. Dado o tumulto promovido por vândalos disfarçados de estudantes, a Reitoria fez o quê? Ora, preferiu atacar a Polícia Federal. Leiam o que vai na VEJA.com. Volto em seguida.

Por Bianca Bibiano:
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) disse ao site de VEJA nesta quarta-feira que o consumo de drogas no campus não é novidade: “Trata-se de uma questão de conhecimento público”, disse a assessoria de imprensa da instituição. A declaração foi feita um dia após ação da Polícia Federal (PF) no campus para investigar denúncia de tráfico de drogas que acabou com a prisão de cinco pessoas (sendo quatro estudantes), choque entre policiais e supostos estudantes e a depredação de viaturas da PF e da Polícia Militar. Os detidos portavam maconha. Após o confronto, cerca de 200 estudantes invadiram a reitoria pedindo a proibição da entrada da polícia no campus.

A PF comentou o caso nesta quarta-feira. Em entrevista coletiva, o delegado Paulo Cassiano Júnior criticou a posição da reitoria, que na noite da terça-feira condenou a ação dos agentes federais. “A PF não tem compromisso com a falta de pulso da reitoria em gerir os assuntos da universidade. (…) Autonomia universitária não deve ser confundida com licença para baderna. Nós não temos compromisso se a reitora com seu comportamento condescendente pretende transformar a universidade em uma república de maconheiros”, declarou, em entrevista transmitida pela TV.

O texto da universidade divulgado na noite da terça-feira, assinado pela reitora Roselane Neckel, dizia o seguinte: “Em todos os contatos com a Polícia Federal sempre foi solicitado que quaisquer ações de repressão violenta ao tráfico de drogas fossem realizadas fora das áreas da universidade.”

Na tarde desta quarta-feira, membros da reitoria, estudantes e funcionários vão se reunir para discutir o caso, além de negociar a desocupação da reitoria. Os estudantes pedem a legalização de festas no campus, a proibição da entrada da PMs no campus e punição aos responsáveis pela ação da terça-feira. O episódio ocorre em meio à greve de servidores da universidade, iniciada no dia 17, com a paralisação geral dos técnicos-administrativos das instituições federais de ensino. O encerramento da greve também está na pauta de reunião desta tarde.

Retomo
Como se nota, a doutora que comanda a UFSC acha que reprimir o tráfico dentro da UFSC é coisa incompatível com as atividades acadêmicas da instituição, donde se conclui haver compatibilidade entre a produção intelectual e o tráfico! Em qualquer país decente do mundo, seria demitida. Por aqui, vai virar heroína — Ooops!

O grande Raymond Aron afirmou que o marxismo era o ópio dos intelectuais. Carlos Graieb, editor-executivo da VEJA.com, submeteu a frase a uma leitura, digamos, à moda Monty Python: “A MACONHA É A MACONHA DOS INTELECTUAIS”.

Nas moscas!

Por Reinaldo Azevedo


CONSELHO TUTELAR VAI DENUNCIAR USUÁRIA DE DROGA POR ABANDONAR FILHO.
Do G1 MA
Uma criança de um ano e 10 meses foi abandonada pela mãe na Unidade Mista do Maiobão, Paço do Lumiar, na última sexta-feira (21), com sinais de maus-tratos. A mulher, segundo relato de familiares, é usuária de crack. A criança é portadora de paralisia cerebral.Diante da situação de abandono, o hospital acionou o Conselho Tutelar de Paço do Lumiar, no domingo (23), que solicitou que alguém da família acompanhasse o menino. Um tio foi localizado e levado à unidade de saúde. Agora, o Conselho vai encaminhar a denúncia de abandono de incapaz por parte da mãe ao Ministério Público Estadual.

"Recebemos a denúncia de que uma criança havia sido abandonada pela mãe. O Conselho foi checar e se deslocou até a casa da vítima. Lá, conversamos sobre a responsabilidade de acompanhar esse bebê, por conta das condições da mãe. Vamos comunicar o abandono ao MP, no mais tardar sexta-feira (28). Estamos apenas aguardando uma nova visita", afirmou a conselheira tutelar Amelice Araújo.De acordo com a conselheira, alguns familiares estão acompanhando a criança, mas não  regularmente. "Estamos sensibilizando essa família de que é preciso cuidar, pois também são  responsáveis pelo zelo. Ontem (quarta-feira), tinha uma tia lá com ele", contou.A criança deve ser transferida nesta quinta-feira  (27) para um hospital especializado de São Luís. O G1 entrou em contato com a diretora-geral da Unidade Mista do Maiobão, Aline Teixeira, para saber qual o quadro clínico da criança ao dar entrada na unidade, assim como o encaminhamento a ser dado para a situação, mas ela alegou não poder dar nenhuma informação sobre o caso e desligou o telefone.

Consequências
De acordo com o neuropsiquiatra e especialista em dependência química, Ruy Palhano, uma criança gerada por uma mulher que usa drogas dificilmente terá uma vida normal, sem sequelas. "O índice de mulheres que usam crack e abortam é altíssimo, por causa do consumo da droga. O principal problema é que essas crianças já nascem viciadas, porque o crack atravessa a barreira hematoplacentária e a barreira hemoencefálica. As consequências são doenças cardiovasculares, cérebro-vasculares, quadro de diminuição do volume da massa encefálica, e apresentação de problemas respitarórios desde muito cedo".Estatísticas
Segundo dados do Centro de Atenção Psicossocial Alcóol e Drogas (Caps AD), a maioria das pessoas que busca tratamento para a dependência tem entre 20 a 30 anos, e apenas 15% dos atendimentos são mulheres. De janeiro de 2014 a 20 de fevereiro deste ano já deram entrada 120 novos casos de usuários de droga na Cap's.

Em 2013, 85% dos atendimentos feitos no Centro de Atenção foram de usuários de crack. Ao longo de todo o ano foram atendidas pessoas usuárias drogas de 42 municípios do Maranhão. Os maiores registros são das cidades de São José de Ribamar (80 pessoas); Paço do Lumiar (52 pessoas) e São João Batista (32 pessoas).

Na capital, 59 dos bairros tiveram usuários em tratamento. Os de maior incidência foram: João Paulo (230 pessoas); Coroadinho (230 pessoas); Cidade Olímpica (193 pessoas); Liberdade (156 pessoas) e Vila mauro Fecury I e II (131 pessoas Barreto). Desses usuários, apenas 20% estão sem fazer uso de substâncias psicoativas e reinseridos no mercado de trabalho.