quarta-feira, 7 de março de 2012


Crack, o pesadelo da maternidade

Entre as mulheres, os danos causados pela dependência de crack afetam seriamente uma segunda vida: a do feto.
Pesquisas indicam o alto índide de gravidez não planejada entre as usuárias da droga, muitas vezes fruto da prostituição. A situação é de tal gravidade que autoridades de saúde discutem a oferta de contraceptivos, nos casos mais urgentes, a fim de impedir a gestação por até dois anos. Quando, aos 27 anos, Laura(nome fictício) fumou a primeira pedra, assumiu o risco de comprometer para sempre o futuro de alguém que ainda estava para nascer. Começou com a maconha, mas em poucos meses evoluiu para a cocaína, a merla e chegou ao crack. Desceu o mais fundo que podia. Conheceu a solidão, a violência, o crime, a prostituição, a doença. Dessa mulher, depende o pequeno Victor, o filho que Laura teve sem querer, fruto de uma relação sexual para sustentar seu vício. Até os seis meses de gestação, ela não sabia que estava grávida. Descobriu depois de um acidente, quando, sob o efeito da droga, foi atropelada e socorrida em um hospital.
Laura desejou abortar. Batia com a barriga na parede, continuou a fazer programas e não parou, nem por um dia, de fumar a pedra. Um dos efeitos da mistura da cocaína com solventes é a vasoconstrição, um processo de contração dos vasos sanguíneos que compromete a passagem de nutrientes e de oxigênio para o bebê, o que pode causar hemorragia intracraniana, redução do perímetro cefálico, diminuição do ritmo do crescimento, pressão alta, deficiência visual, auditiva, do coração, no esqueleto, no intestino. Outro sintoma comum entre as usuárias é a falta de apetite. Mesmo grávidas, dependentes do crack são capazes de passar dias sem se alimentar.
Na tese de graduação pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub) chamada "Caracterização da cultura do crack no Distrito Federal", que observou usuários atendidos pelos Centros de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CapsAD), 96% dos entrevistados relataram que o apetite diminui com o consumo do crack. Outros 84% disseram que sentem insônia. Sete a cada 10 dependentes relataram desconforto gastrointestinal. Sintomas da droga que comprometem a gestação. Além disso, nos primeiros meses da gravidez, o feto ainda não tem a pele queratinizada, o que funciona como espécie de uma capa protetora formada de proteína. Assim, fica vulnerável a substâncias tóxicas que se acumulam no líquido amniótico e podem se tornar um reservatório da droga.
Sobrevivente
O pequeno Victor superou a falta de nutrientes, de oxigênio, a contaminação tóxica. Sobreviveu mesmo recebendo doses diárias da cocaína em pedra, via placenta. Ele nasceu abaixo do peso, sofre crises de refluxo e tem sífilis, uma doença sexualmente transmissível, que o contaminou ainda no útero. A enfermidade compromete o sistema nervoso central, o coração e, se não for corretamente tratada, pode matar. A poucos dias do parto, Laura pediu ajuda. Chegou vestida em farrapos, descalça, bateu na porta da casa de uma irmã mais velha, que lhe deu R$ 3 para chegar ao CapsAD do Guará. Lá, foi atendida e encaminhada para a comunidade terapêutica das Mulheres de Deus, em Ceilândia, onde está há quatro meses. Em abstinência desde a internação, conseguiu o direito de amamentar.

Laura conheceu as drogas por influência de amigos. Ela conta que teve pais amorosos. Na casa onde passou a infância, em Samambaia, as desavenças eram resolvidas com conversa. Mas as boas recordações não foram a principal referência da menina, que ficou órfã aos 17 anos. O pai morreu de enfizema. A mãe, de cirrose. Os dois bebiam e fumavam muito. Entregaram-se ao vício. Perderam uma firma de limpeza, o apartamento e o carro no jogo do bingo. Laura foi espelho do exemplo de destempero que viu em casa. Chegou a ter marido e um filho, hoje com 11 anos. Mas optou por viver uma aventura. E cortou o caminho com as drogas, que lhe encorajaram para a prostituição.
As viciadas costumam ter muitos parceiros, porque vendem o corpo para conseguir a pedra. Alucinadas com os efeitos da droga, não se preocupam em se proteger de doenças. O "Perfil dos usuários de cocaína e crack no Brasil", de 2008, mostrou que a maioria das dependentes faz sexo diariamente com até cinco parceiros para manter o vício. Laura não sabe quem é o pai da criança em quem hoje deposita a própria salvação. Chegou a ter dezenas de companheiros em apenas uma noite. "Já fiz mais de R$ 1 mil em algumas horas." Ela cobrava entre R$ 20 e R$ 50 pelo programa.
Todo o dinheiro que conseguiu com o corpo, empregou no crack. Desenvolveu compulsividade pela pedra. Passou a roubar os parceiros. "Uma mulher sabe como seduzir. Eu pegava o celular, o boné, até tênis eu já levei", conta. Laura tem os cabelos pretos, ondulados, quase até a cintura. Os olhos castanhos, puxados, seios fartos e coxas grossas. É uma mulher bonita. Mesmo maltratada pelo desgaste que o crack provoca no corpo, atraiu advogados, professores e até dois juízes para encontros íntimos. Chegou a passar uma semana trancada com um magistrado, também viciado em crack, em um motel de Ceilândia.
Foi a mulher e a mãe do juiz que foram buscá-lo. "Elas que me pagaram o programa e o motel. Ele saiu de lá direto para uma clínica. Mas ninguém me perguntou se eu precisava de ajuda, se queria tratamento", diz a mulher, que voltou para a rua, por onde perambulou três meses sem voltar para casa. "Um dia fui comprar pão, desviei do caminho, passei na boca de fumo e não voltei mais. Já estava viciada."
Recomeço
Laura, que ficou viúva do primeiro marido, perdeu a guarda do filho mais velho. O menino mora com o padrasto em Samambaia. "Eu fiz os dois sofrerem demais. Quando fumava, meu filho ligava para o pai de criação e dizia: "A mãe está fumando na latinha". Eu batia muito nele. Várias vezes meu ex-marido foi me pegar na rua, pagar as minhas dívidas. Ele não usa droga. Era apaixonado por mim, mas um dia não me procurou mais. Ninguém aguenta."

Depois que se internou, Laura, hoje com 30 anos, tem recebido a visita do filho mais velho a cada três semanas. "Ele nunca ficou tão feliz comigo. Diz sempre que eu vou melhorar. Eu sei que vou. Quando Victor nasceu, tudo mudou, eu me senti forte, vou superar e voltar a ser uma mulher de verdade", diz. Ela não está curada. Ainda sofre crises de abstinência. É vigiada sempre. Mas os profissionais do CapsAD e da comunidade terapêutica que dão atendimento médico e psicológico a Laura avaliam que o contato com o bebê pode ajudá-la a largar o vício no crack. Após dois meses de internação, a mulher foi liberada para amamentar. Agora são as mãos minúsculas de Victor, que nasceu de oito meses, com apenas dois 2kg, que sustentam a mãe.

domingo, 4 de março de 2012



Embora cresça no Brasil o número de mulheres com abuso ou dependência de álcool e outras drogas- principalmente o crack- elas ainda seguem tendo dificuldade de acesso e engajamento aos serviços tradicionais disponíveis para o tratamento da dependência química em nosso país, permanecendo sem um foco estratégico específico na tomada de decisão dos gestores de políticas públicas. Algumas necessidades adicionais, relativas ao tratamento de mulheres dependentes químicas, devem ser enfatizadas, com a finalidade de possibilitar melhores resultados terapêuticos, entre eles, a necessidade de ter enfermarias especialmente destinadas para o tratamento de algumas demandas do universo feminino com envolvimento com álcool e outras drogas de abuso, cuidados preventivos para os filhos de mulheres dependentes químicas, suporte ginecológico e obstétrico, inserção em grupos de mutua ajuda, reinserção e reabilitação social.
Dia: 30 de março de 2012.
Teatro Municipal de Cabo Frio, RJ.(entrada franca e certificado de participação).
 Programação:
8:00: Coffe-break
8:30 as 10:30: Vulnerabilidades e especificidades do tratamento da Dependência Química em Mulheres. Palestrante: Dra. Alessandra Diehl
10:30 as 11: 30: A mulher dependente química e os 12 passos.Palestrante: Maria Eugenia Lara Silva
11:30 as 12:30: E os filhos de mulheres dependentes químicas: necessitam de um olhar especial ? Palestrante: Dra. Alessandra Diehl

Alessandra DiehlAlessandra Diehl  -  médica-psiquiatra,com Formação em Pesquisa Clínica e Especialização em Dependência Química e Sexualidade Humana. Pos graduanda da Universidade Federal de São Paulo/ Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD). Tem experiência com ensaios clínicos e atuação na área de pesquisa e tratamentos para dependência química. O interesse recente é em estudos e atuação na interface dependência química, sexualidade e diversidade sexual. Autora de 3 livros : (1) Tratamentos Farmacológicos para Dependência Química: da evidência científica a pratica clínica. Editora ARTMED, 2010. (2) Dependência Química: Prevenção, Tratamento e Políticas Públicas. Editora ARTMED, 2011. (3) Sexualidade e Saúde Sexual. Editora Roca, 2012 (no prelo).

Maria Eugênia Lara Silva - Conselheira em 12 passos, trabalha na enfermaria de dependência química da UNIFESP, atualmente cursando o Curso de aconselhamento em dependência Química na UNIAD/ UNIFESP.




sábado, 25 de fevereiro de 2012


A tragédia das drogas legalizadas

Recentemente o governo federal lançou um programa nacional de combate ao crack.
A droga já é considerada como epidemia e, portanto, necessita ser enfrentada como tal. São várias ações públicas que irão envolver mais de R$ 4 bilhões de investimentos. Afinal, 89% das cidades brasileiras enfrentam problemas com drogas.

Segundo o estudo sobre morte por drogas – legais e ilegais – do Sistema de Informação sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, o uso de drogas matou 40.692 pessoas no Brasil entre 2006 e 2010. Uma média de 8 mil óbitos por ano. Mas o que chama atenção é o papel das drogas legalizadas. O álcool segue sendo o campeão na mortandade.
O levantamento é feito com base nos dados compilados pelo Datasus. Entre as drogas legais, a bebida tirou a vida de 34.573 pessoas – 84,9% dos casos informados por médicos em formulários que avisam o governo federal sobre a causa da morte nesse grupo da população. Em segundo lugar aparece o fumo, com 4.625 mortos (11,3%). A cocaína matou pelo menos 354 pessoas no período.
De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional dos Municípios, na comparação por gênero, há mais registros de morte de homens por álcool e fumo. Em cinco anos, 31.118 homens perderam a vida por causa da bebida. Outros 3.250 morreram em casos associados ao hábito de fumar. Por isso todas as legislações restringindo o fumo são bem vindas.
Na comparação por Estados, Minas Gerais lidera o número de mortes por álcool, com 0,82 mortes para cada 100 mil habitantes, seguido pelo Ceará, com 0,77 mortes/100 mil pessoas. Depois aparece Sergipe, com 0,73/100 mil e São Paulo com 0,53 mortes para cada 100 mil habitantes. Quando a causa da morte é o fumo, o campeão de mortes é o estado do Rio Grande do Sul. A taxa de óbitos pelo tabaco chega a 0,36 para cada 100 mil. A seguir aparecem Piauí e Rio Grande do Norte, ambos com 0,33/100 mil.
A duas principais drogas legalizadas – álcool e fumo –, juntas mataram 39.198 pessoas em cinco anos: 96% do total. Mas estes dados ainda são preliminares e podem aumentar. O preenchimento das fichas para informação não é simples e o sistema tem casos de mortes nos quais é informada no formulário mais de uma droga associada à morte.
O próprio Ministério da Saúde explica que os números de 2010 podem sofrer alterações. De acordo com o ministério, entre 2006 e 2009 foram notificados 31.951 óbitos com causa básica de consumo de álcool, fumo e substâncias psicoativas, como cocaína e alucinógenos. Os óbitos de 2011 só serão conhecidos no final deste ano.
O governo, como um todo, vem se dedicando a enfrentar o grave problema das drogas. São ações que exigem sintonia fina entre os ministérios afins, harmonia na execução destes programas e, sobretudo, um fortalecimento no policiamento de fronteiras. Esta é uma medida sem a qual estaremos andando em círculos. Quanto às drogas consideradas legais é preciso aumentar as campanhas condenando o uso das mesmas.

Pesquisa revela por que o álcool vicia.
Revista Exame
Pela primeira vez, estudo feito com seres humanos comprova que vício em álcool está ligado à liberação de endorfinas no cérebro.

Um estudo realizado pela Ernest Gallo Clinic e pela Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, esclareceu o mecanismo do vício em álcool. Pela primeira vez, ele comprovou em seres humanos que a liberação de endorfinas, substâncias que o cérebro produz responsáveis pelo prazer, é a principal causa do problema.

Os estudiosos identificaram ainda as regiões do cérebro onde a endorfina é liberada. Até hoje, as experiências só haviam mostrado os efeitos da bebida em animais, sem grande detalhamento. De acordo com a pesquisa, publicada no periódico Science Translational Medicine, as endorfinas são liberadas nas regiões cerebrais do núcleo accumbens, ligado ao prazer, e do córtex órbito-frontal, parte do córtex pré-frontal responsável por processos cognitivos e de tomada de decisão.
Os testes foram feitos em dois grupos, um com 13 alcóolatras e 12 bebedores ocasionais, que se submeteram a tomografias para verificar a atividade cerebral durante o consumo de álcool. Assim, eles perceberam que, além de dar prazer, a bebida é capaz de modificar o cérebro de quem bebe regularmente, proporcionando cada vez mais prazer e, por consequência, levando à dependência.
Os estudiosos chegaram a essa conclusão ao ver que, quanto maior a quantidade de endorfina liberada no núcleo accumbens, maior era a sensação de prazer em ambos os grupos. Mas, quanto mais liberada no córtex órbito-frontal, mais o grupo alcoólatra ficava embriagado, fato que não ocorreu no grupo de bebedores com menor frequência.
Essa novidade pode ajudar na criação de novos remédios para tratar o alcoolismo com mais eficácia do que a naltrexona, usada atualmente para combater o vício. Segundo os pesquisadores, o problema desse medicamento é que ele não bloqueia as substâncias prazerosas liberadas apenas pelo álcool e, por isso, muitos pacientes abandonam o tratamento por causa da sensação que o remédio causa. Ao descobrir onde a dependência começa, poderá ser mais fácil encontrar um fim para ela.



Mistura de Valium, Xanax e álcool matou Whitney, diz site

A causa da morte da cantora Whitney Houston teria sido a mistura dos remédios Valium e Xanax com álcool, segundo site "RadarOnline.com".
A polícia encontrou os dois medicamentos no quarto onde Whitney foi encontrada morta com o rosto embaixo d'água na banheira de uma suíte do hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, no dia 11.
"Whitney tinha tomado Valium, Xanax e álcool, que levou à morte. O legista está esperando os resultados finais de toxicologia para determinar qual dos três foi o principal fator de sua morte", afirmou uma fonte próxima do caso ao site.
"O legista vai examinar atentamente o álcool presente no sangue de Whitney no momento em que ela morreu também. Os sedativos e o álcool são quase certamente a causa da morte, e não afogamento. Seu coração parou de bater porque o seu sistema respiratório foi suprimido pelos medicamentos ansiolíticos, e combinado com a bebida, o que provavelmente aconteceu muito rapidamente."
Ainda segundo o site, os últimos dias da cantora foram marcados pela briga que ela se envolveu com uma mulher em uma boate em Hollywood. A cantora achou que a mulher estava dando em cima de seu namorado, Ray J.
A diva pop saiu da boate naquela noite despenteada, embriagada e com sangue escorrendo pela perna. Testemunhas disseram que Whitney estava bebendo muito na área VIP.