quinta-feira, 9 de agosto de 2012

 



Pais subestimam o uso do álcool e drogas pelos filhos.



HypeScience - Por Stephanie D’Ornelas

Quando o assunto é drogas e álcool na adolescência, a maior parte dos pais prefere acreditar que o problema existe, mas com o vizinho, e não com os próprios filhos. Isso é o que sugere um novo estudo norte-americano, que descobriu que a maior parte dos pais crê que mais da metade dos adolescentes ingerem álcool – mas eles não incluem os próprios filhos nessa estatística.
Apenas 10% dos pais acreditam que os seus filhos ingeriram álcool no último ano, e 5% acham que seus filhos adolescentes fumaram maconha nesse período.

Esses números reduzidos contrastam com a realidade, já que um levantamento recente mostrou que 52% dos adolescentes pesquisados relataram ter ingerido bebidas alcoólicas e 28% afirmaram uso de maconha no último ano. Essa pesquisa foi realizada com cerca de 420 escolas públicas e privadas de ensino médio e ensino fundamental dos Estados Unidos, o que forneceu uma representação bastante precisa dos estudantes de diferentes níveis no país.
Mas enquanto os pais parecem acreditar que seus filhos estão longe das drogas e do álcool, eles certamente não acreditam que os colegas de seus filhos são tão inocentes assim. De acordo com o estudo, 60% dos pais afirmaram que acreditam que colegas de seus filhos beberam álcool e 40% crê que eles usaram maconha no último ano.
O quadro que indica que os pais esperam que os problemas com drogas e álcool não acontecerão dentro de casa mostra a necessidade de conscientização sobre o uso dessas substâncias na adolescência. A sugestão dos pesquisadores é a de que os pais abordem o assunto com os filhos adolescentes de uma forma não ameaçadora, e que falem com eles sobre a importância de resistir à pressão negativa dos colegas.
Os pesquisadores também sugerem que os pais acompanhem a vida dos filhos e procurem sinais do uso dessas substâncias. Mas sem exageros: se os pais descobrirem que o filho já passou por uma experiência do tipo, a oportunidade deve ser aproveitada para conversar com os adolescentes, e não para puni-los. O mais importante é sempre o diálogo e o jogo limpo – tanto da parte dos pais quanto dos filhos.


Pais de menores que consumirem álcool pagarão US$ 2 mil em cidade argentina
As autoridades de uma cidade argentina aplicarão multas de até 10 mil pesos (US$ 2.174) aos pais de menores de 18 anos que tenham consumido álcool em discotecas desse distrito, informou nesta sexta-feira a imprensa local.
É o que está previsto em um novo decreto da legislatura da cidade de Villa María, na província de Córdoba, que também afeta aos organizadores de eventos e donos de casas noturnas.

O legislador peronista Rafael Sachetto explicou a jornalistas que quando os inspetores municipais detectarem um menor consumindo álcool, tirarão a bebida do jovem, lavrarão uma ata e um juiz determinará depois se a responsabilidade é da discoteca, dos pais ou de ambos.

O decreto, aprovado por unanimidade, proíbe ainda a entrada em casas noturnas e bares de menores de 18 anos nas vésperas de aulas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012



O que estamos plantando?

 

TEMA EM DISCUSSÃO: A descriminalização das drogas
A aprovação da proposta que descriminaliza o porte e o plantio de drogas para consumo pessoal deu um grande passo de avanço. Avanço em direção a um precipício ou desastre médico psicossocial.
Qual a diferença do crime de usar drogas que continuam ilícitas em locais públicos, frequentados por crianças e adolescentes, daquele cometido dentro de uma casa familiar, onde o usuário, com sua própria plantação, faz uso na frente dos seus familiares? Será que as autoridades apelarão para o bom senso dos usuários, cujo bom senso já foi distorcido ou abolido pela droga de consumo ou de abuso?
Até onde o espaço da vida privada de uma pessoa envolvida com o uso de drogas, que a proposta de descriminalização visa a resguardar, não afeta a vida de outras pessoas, que ainda nem começaram a experimentar, como crianças, que testemunhando a facilidade da nova prática, serão estimuladas a usar, seja mais cedo ou mais tarde?
Se refletirmos sobre o impacto de danos das drogas lícitas em nosso país, como o cigarro e as bebidas alcoólicas, será que não vale a pena perguntar: já não temos drogas legalizadas demais? O que aprendemos sobre e com elas? Descriminalizar novas drogas não seria negarmos o doloroso aprendizado com as drogas lícitas?
A questão fundamental é: por que uma sociedade desejaria estabelecer e financiar um sistema que a torne doente e dependente?
Com o surgimento de novos usuários não ampliaríamos uma clientela de dependentes químicos que não terá condições de ser atendida por um sistema público de saúde que já não dá conta da demanda de usuários envolvidos com acidentes de trânsito, lesões corporais, homicídios, violência doméstica? Desta forma, não se agravaria o colapso já existente neste sistema público? Quem pagaria o custo médico, familiar e social?
Um governo que capitule diante da premissa de “que é inevitável o uso de drogas no mundo”, confundindo a população quanto a substâncias úteis à preservação da vida e outras que causam mais danos do que benefício estará diante de sua própria incapacidade de orientar os jovens para a vida. A banalização das drogas parece vir acompanhada da banalização da falta de sentido para a vida.
Não precisamos de caminhos sancionados pela Justiça para chegar mais facilmente às drogas, mas sim de uma justiça que caminhe com uma consciência capaz de ajudar os cidadãos, sobretudo os jovens, a encontrar sua capacidade de fazer escolhas com lucidez e responsabilidade.

ROBERTO P. COELHO é psicólogo e ouvidor da Coordenadoria Especial de Promoção da Política de Prevenção à Dependência Química da Prefeitura do Rio




A tentação do álcool.


Folha de São Paulo - Rosely Sayão
Tive uma conversa muito interessante com a mãe de uma garota de 15 anos. Ela me contou que a filha é extrovertida, faz sucesso em rede social, sempre é procurada por vários colegas e chamada pelo celular o dia todo.
A menina também tem alguns amigos mais chegados que estão sempre por perto.
Mesmo assim, a filha não sai. É convidada para ir a festas, ao cinema, para dormir na casa de colegas, viajar. Mas ela só sai mesmo para ir à escola. Recusa todos os convites que recebe.

Acredite, caro leitor, isso preocupou essa mãe. Curioso o fato, já que as mães de garotas dessa idade costumam se preocupar pelo motivo oposto: filhas que querem sair sempre.
Assim que o sinal amarelo acendeu para essa mãe, ela tomou uma atitude. Chamou a filha para um lanche, disposta a conversar com ela para saber o motivo da sua reclusão. Parece que é comum as duas conversarem sem muitos rodeios.
Dessa maneira, a mãe logo ficou sabendo que a filha tinha lá suas razões para preferir ficar em casa: "Se eu sair, mãe, vou ter de ficar, beijar, talvez transar; vou precisar beber, vou ter de comprar coisas que eu não sei se quero. Então, eu prefiro ficar em casa por enquanto".
É, não tem sido fácil para muitos jovens atravessar essa fase da vida. As tentações têm sido excessivas para eles. E hoje vou ficar apenas em uma delas: a ingestão de bebidas alcoólicas.
Não sei por que os pais têm facilitado tanto a oferta de bebida para esses jovens que mal saíram da infância.
Já ouvi alguns pais declararem que, apesar de serem contra o consumo de bebida alcoólica nessa idade, ofereceriam essa opção na festa de aniversário dos filhos para garantir a presença dos convidados. Isso significa que festa, para eles, não existe sem a presença de álcool?
Quem é adulto e tem controle sobre a quantidade de bebida que ingere sabe os efeitos que o álcool produz no organismo. As sensações de euforia e de segurança para correr riscos costumam ser os principais motivos que levam a garotada a beber.
É uma tentação poder viver, por alguns momentos, sem muita censura e sem grandes dúvidas a respeito do que fazer, não é? Nessa idade, tal tentação é sedutora.
O problema é que eles bebem demais -demais mesmo- , muito cedo e se esquecem de aprender a viver em grupo sem os efeitos que a bebida provoca. Falta coragem, dá medo, provoca angústia. Talvez por isso alguns adolescentes bebam até cair.
Tem sido bem impressionante a quantidade de adolescentes que passam mal, muito mal, depois de beber. É que eles costumam ser exagerados em tudo o que oferece satisfação imediata. É por isso, entre outros fatores, que perdem a medida.
Diversas mães se assustaram com o que viram nessas férias de inverno. Li o relato de uma delas que levou a filha, de 14 anos, com duas amigas para uns dias em Campos de Jordão.
Ficou assustada com o que viu: crianças de 12, 13 anos vomitando em praças, caindo pelas ruas de tão bêbadas que estavam. "Onde estão os pais dessas crianças?" perguntou ela.

Provavelmente por perto, mas sem saber o que fazer.
Quem tem filhos adolescentes não deve ficar impotente, congelado, com receio de ser considerado careta. Aliás, em muitos aspectos, é papel dos pais ser careta.
E é bom saber que isso não impedirá o filho de experimentar muitas coisas. Apenas o ajudará a conhecer melhor seu nível de saciedade com a bebida alcoólica, por exemplo. Para que ela funcione como um mediador social, apenas isso.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

 


As escolas que transformam ex-dependentes em terapeutas.
Cursos utilizam a experiência com as drogas em técnicas de reabilitação. “Do fundo do poço nascem exemplos bons”, diz Mauro, que venceu o crack.
 Os dois heróis de Mauro estão mortos. O primeiro, um tio traficante, foi assassinado bem ao seu lado e deixou o cheiro de pólvora nas narinas do jovem por muitos anos. O segundo, um dependente químico em recuperação, perdeu a vida num acidente de carro antes de poder conviver com Mauro limpo, longe das drogas. Esta morte deixou vazio.

O fato de ter testemunhado os dois óbitos quando não tinha nem 19 anos também aparece entre os motivos para Mauro, hoje com 42, ter procurado formação específica para virar terapeuta. Hoje, ele ajuda a tratar pessoas que, assim como ele, tentam diariamente ficar longe do crack, da cocaína e do álcool.

Os três vícios o acompanharam por quase três décadas (desde os 14 anos) e, depois de uma coleção de perdas acumuladas no período, ele sonha um dia ser apontado como herói por ao menos um dos inúmeros pacientes que agora ajuda. Um herói que não vende mais drogas e que quer estar vivo para ver a transformação daqueles que passou a acompanhar.

"Eu quero ser exemplo de que é possível renascer, mesmo após anos de uma vida anulada pela dependência química", diz antes de começar as nove horas diárias de trabalho que exerce na Clínica Maia, há sete meses.

Os serviços de tratamento psiquiátrico passaram a enxergar em ex-dependentes como Mauro uma ferramenta importante para tratar pessoas que ainda estão envolvidas com drogas. Hoje, as clínicas utilizam esta mão de obra como "coringa" na terapia que mescla medicamentos, abstinência e abordagens psicológicas.

A Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (Febract) detectou esta estratégia e criou cursos de capacitação específicos para a formação de ex-usuários em terapia holística.

Até o final do ano, devem ser capacitados para a função 900 ex-dependentes. Em 2011, foram 705 formados na instituição e, no ano anterior, 500. Outros centros acadêmicos, como o da Universidade Federal de São Paulo, também atuam nesta formação.

“Em média, 95% das pessoas que nos procuravam para a capacitação já haviam tido envolvimento com as drogas”, afirma Juliano da Silva Marfim, coordenador administrativo da Febract, e ele próprio uma confirmação da tendência.

“Eu mesmo, até virar terapeuta, fui paciente. Sou alcoólatra e estou limpo há 5 anos e 11 meses”, conta Marfim, 29 anos.

“Trabalhava em uma multinacional e depois que terminei o tratamento fui demitido. Atuar com os dependentes, após o treinamento específico, foi uma forma de voltar ao mercado e também ajudar os profissionais de saúde a traçar estratégias mais efetivas de recuperação. Por isso, o treinamento é tão importante.”

Segundo os médicos, os ex-dependentes fazem da vivência um “medicamento” importante para ampliar os índices de recuperação de viciados. As taxas que mensuram este renascimento ainda são modestas e não superam a casa dos 30%, de acordo com os levantamentos catalogados pelo Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psciotrópicas (Cebrid).

Por outro lado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou em seu último boletim que o consumo de drogas, especialmente a cocaína, é crescente no mundo todo. No Brasil, a Previdência Social também mapeou que as licenças trabalhistas para tratar a dependência, de profissionais de todas as áreas, está em ascensão.
O trabalho deles

A psiquiatra Ana Cecília Marques, conselheira da Associação Brasileira de Estudos sobre Drogas e Álcool (Abead), explica que a relevância da atuação dos ex-dependentes é expressada já no início do tratamento dos novatos.

“A motivação dos dependentes é instável nos primeiros meses. Tal recurso pode ser aplicado para ajudar a manejar uma doença tão complexa.”

A complexidade do tratamento, explica o coordenador Juliano Marfim, é que não existe um “tratamento universal” para o problema das drogas.

“Este é o grande desafio da capacitação dos ex-dependentes. O que mostramos nas aulas e nos estágios monitorados é que o que funcionou para eles pode não ter o mesmo efeito em outros. Por isso, eles precisam ter um conhecimento integral das técnicas. Para apresentar este leque de possibilidades às pessoas que chegam à reabilitação”, afirma.

Fundo do poço

Mauro confirma que uma das grandes dificuldades é constatar que a fórmula que o tirou da “vida miserável”, muitas vezes não se aplica aos jovens, tão parecidos com ele, que chegam à clínica.

“Às vezes dá raiva, sensação de impotência. Porque um cara cheio de potencial não segura, com todas as forças, a corda que você oferece a ele. Mas talvez ele precise de outra forma de resgate. É um trabalho longo e nos ajudamos os psiquiatras e os psicólogos nisso”.

Nestes sete meses em que virou terapeuta, ele diz que ainda se surpreende sobre como “o fundo do poço pode ser terreno fértil para nascer exemplos bons”.

“Eu estudei nos melhores colégios, tinha casa na praia, roupa de marca. Ganhei meu primeiro carro zero aos 18 anos e troquei por dois quilos de cocaína duas semanas depois. Deixei o conforto da minha casa para morar em um barraco na favela só para ficar mais próximo das drogas. Quem apostaria fichas em mim?”, questiona.

“Até eu duvidava. Mas estou aí. Mostrando que a vida não precisa acabar na dependência.”

A favela da zona sul paulistana onde Mauro morou e presenciou a morte de seus dois heróis ainda é frequentada por ele.

“Volto sempre lá com meu filho, que está com 8 anos, para conversar com as crianças e com os adolescentes. Gosto do que sou agora. E quero mostrar que não é preciso se espelhar no homem que eu já fui.”
Fonte: IG

Maioria dos usuários da cracolândia nunca recebeu tratamento, diz pesquisa.
CLÁUDIA COLLUCCI


O acesso e o consumo de drogas na "nova" cracolândia continuam iguais seis meses após o início da ação policial no centro de São Paulo, segundo os próprios usuários que frequentam o local.
 Apenas um terço deles relata ter recebido oferta de tratamento para abandonar o vício. Os dados são de uma pesquisa inédita da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), obtida com exclusividade pela Folha, feita dois meses após o início da ação.
Foram entrevistados 151 usuários de crack, que frequentam agora as imediações do Minhocão, a Baixada do Glicério e rua Pedroso (regiões centrais de São Paulo).
Antes da operação da PM, cerca de 400 usuários de drogas viviam pela cracolândia e 2.000 circulavam por ali.
Entre os 151 entrevistados, 70% dizem que já frequentavam a "velha" cracolândia, na rua Helvétia, e 55,6% dizem que o consumo de drogas continua o mesmo. Para 25%, o uso está ainda maior.
"Nesses novos locais, há menos policiamento e eles se sentem mais à vontade para consumir", diz Lígia Duailibi, pesquisadora da Uniad (Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas), da Unifesp.
Questionado ontem sobre os resultados, o coronel Roberval Ferreira França, comandante-geral da PM, disse que prefere não comentar sem antes ter acesso à integra da pesquisa.
Outro dado que chama a atenção: 70% dos entrevistados afirmam que nunca receberam oferta de tratamento. Entre os que receberam, 26% foram convidados a frequentar o AA (Alcoólicos Anônimos) e o NA (Narcóticos Anônimos).
"Ninguém acessou essa população para ver se ela queria tratamento. Sem uma ação integrada, que envolva a saúde, não há chance de bons resultados ", diz Lígia.
A pesquisa apontou ainda que 23% dos entrevistados afirmaram ter sofrido violência da polícia e 45% disseram que presenciaram ações violentas da Polícia Militar.
INTERNAÇÕES
Rosangela Elias, coordenadora de Saúde Mental, Álcool e Drogas da prefeitura, questiona esses resultados.
"Há equipes atuando na região desde 2008. Além dos agentes comunitários, temos um Caps-AD [Centro de Atenção Psicossocial - Álcool e Drogas] a meia quadra da Baixada do Glicério. Acho muito estranho, muito alto esse índice [de 70%]."
Segundo a prefeitura, 745 usuários de drogas da região central passaram por internações de janeiro a junho em seis comunidades terapêuticas e no Said (Serviço de Atenção Integral ao Dependente).
A grande maioria (76% nas comunidades e 66% no Said) desistiu do tratamento.
"Não podemos obrigar ninguém a ficar. Se a gente pegar um usuário da cracolândia que acabou de chegar, é mais fácil fazê-lo aderir. Se for um morador de rua crônico, de 10, 20 anos, a aderência ao tratamento será infinitamente menor", explica.